Hoje
em dia, 8
de janeiro de 2011 - Primeiro Caderno -
Seção:
Política - Pág.
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Acréscimo
de salário na Fazenda passa para 50%
Lei
delegada eleva gratificação por cargo
comissionado, que era de 30%
Amália
Goulart
Os funcionários concursados do Estado de Minas Gerais que forem
escalados para assumir cargos comissionados na Secretaria de Fazenda
terão direito a receber o salário de origem e 50% da remuneração
dos postos a que forem indicados, aumentando assim os vencimentos mensais.
A autorização foi publicada no Diário Oficial do
Estado, o “Minas Gerais”, por meio da Lei Delegada 183. Antes,
os funcionários recebiam o salário com mais 30% do valor
pago pelo preenchimento do cargo comissionado. A medida vale para os
servidores que não optarem pelo recebimento do salário
integral da nova função. São diretores, superintendentes
e assessores.
Em 2007, a tabela salarial destes funcionários, mencionada na
Lei Delegada de ontem, apresentava remunerações que chegavam
até a R$ 8.300, contando as gratificações especiais.
O menor vencimento era de R$ 3.900. Os valores são maiores hoje
devido aos reajustes pagos ao funcionalismo. Somente em 2010, o Governo
concedeu aumento de 10% aos servidores.
Para aumentar o valor do benefício, o Governo alterou a Lei Delegada
176, que trata especificamente da remuneração para os concursados
que assumirem vagas na Secretaria da Fazenda, como mostra o artigo primeiro. “O
Quadro Específico de Cargos de Provimento em Comissão da
Secretaria de Estado de Fazenda... passa a vigorar na forma do Anexo
I desta Lei Delegada”, diz trecho da norma publicada em 2007. “A
principal alteração refere-se à possibilidade de
o servidor efetivo nomeado em função comissionada optar
pela remuneração do cargo de origem mais 50% do valor do
cargo em comissão. Antes, esse percentual, previsto na Lei Delegada
176, era de 30%”, diz a nota enviada pelo Estado.
A assessoria informou que 80% dos cargos comissionados
são ocupados
por concursados. A medida seria resultado “da política de
profissionalização do servidor, que estimula sua qualificação,
inclusive, para o desempenho de funções de direção,
assessoramento e chefia”.
A Lei Delegada publicada na quinta-feira também promoveu alterações
naquela sancionada pelo governador Antonio Anastasia (PSDB) no dia 20
de janeiro. Sete dias depois de promulgada, algumas medidas referentes à reforma
administrativa foram alvo de mudanças. O Conselho Estadual de
Comunicação Social, por exemplo, passou a ser subordinado
administrativamente à Secretaria de Governo.
Em outra ponta, a nova Lei Delegada estende o direito
ao Prêmio
por Produtividade aos adjuntos ou vices dos órgãos e entidades
da administração pública estadual do Poder Executivo.
Na lei anterior, de 20 de janeiro, o benefício ficava restrito
aos titulares das pastas.
Outra medida promulgada ontem foi a criação do cargo de
diretor-geral da Escola de Saúde Pública. O salário é de
R$ 8 mil. Para a assessoria de imprensa do Governo, a Lei Delegada corrigiu
erros textuais e acertou detalhes da estrutura das pastas.
O próximo líder do PT na Assembleia Legislativa, Rogério
Correia, questiona a edição da medida. Para ele, o Estado
discrimina os servidores concursados dando privilégios apenas
para uma determinada classe de funcionários. “Ele trata
os funcionários de forma desigual. Aos apadrinhados tudo, aos
demais, o rigor da lei. Os servidores estão sendo tratados como
estorvo”, afirmou.
Correia informou que está em análise, pelo PT nacional,
um estudo que pode desembocar em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade
no Supremo Tribunal Federal contra as medidas. A intenção é anular
as leis delegadas que estão sendo publicadas desde o início
do mês. “Está comprovado, pelas leis que foram editadas,
que não tinha urgência nem emergência. Vamos juntar
todas elas e apresentar no Tribunal de Justiça, onde já pedimos
a suspensão. Além disso, o PT nacional deve entrar no STF”,
adiantou.
Entre as medidas tomadas pelo Governo, desde o início das delegadas,
está a criação de 1.314 cargos comissionados. De
acordo com a secretária de Planejamento, Renata Vilhena, o impacto
financeiro será de cerca de R$ 54 milhões por ano.
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