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Hoje
em Dia, 22 de agosto
de 2011 - Primeiro Caderno - Seção:
Opinião - Pág.
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Renegociando
a dívida de Minas
Um movimento suprapartidário vai analisar na Assembleia Legislativa
o perfil, as origens e as perspectivas futuras da dívida do Estado
de Minas para com a União, estimada hoje em R$ 55 bilhões.
Só de juros, devem ser pagos, no presente exercício, pelo
menos R$ 4 bilhões, mas mesmo assim a dívida deve continuar
aumentando, o que não é nenhuma novidade. Desde o último
acerto do Estado com a União que já se sabia das dificuldades
de quitar o débito. E suas consequências: o comprometimento
de boa parte das receitas do Estado.
Optou-se todos estes anos por rolar
a dívida, mas a criação
da Frente Parlamentar mostra a necessidade de uma solução
política. A Frente já nasce com as assinaturas de 51 dos
77 deputados estaduais, uma maioria sólida, prestigiada, no lançamento,
por representantes de sindicatos, do Tribunal de Contas do Estado e da
Secretaria de Estado da Fazenda, entre outros, reunindo um conjunto de
forças que proporciona a necessária legitimidade para respaldar
a busca de soluções.
Independentemente de posições partidárias, a Frente
buscará conhecimentos sobre a dívida: quem a contraiu,
quem a renegociou com a União, para que serviu o dinheiro, quanto
já foi pago, etc. "Não para punir alguém, mas
para que encontremos um novo rumo. Da forma como está hoje, está dívida
ou é impagável ou se tornará eterna", afirma
um dos coordenadores, o deputado Adelmo Carneiro Leão.
O presidente da Assembleia, Dinis Pinheiro,
considera a situação "absurda" e
ressalta que a dívida "estrangula as finanças e inviabiliza
investimentos nos Estados". Não é um caso isolado
de Minas Gerais. Outros estados se encontram na mesma situação,
embora alguns tenham conseguido pequenas vantagens na última renegociação.
Os tempos eram outros. Em 1998, ainda
era muito forte a lembrança
dahiperinf lação, que era corrigida monetariamente. Este
sistema acabou prevalecendo e a desnecessária correção
monetária automática, nestes anos todos, está inviabilizando
o pagamento. Se Minas Gerais conseguir que sua dívida seja corrigida
pela taxa básica de juros Selic, estabelecida pelo Banco Central,
estará proporcionando ganhos e viabilizando a luz no fim do túnel.
Uma análise minuciosa da dívida, elaborada pelo Tribunal
de Contas do Estado, aponta que a simples troca do índice de correção
da dívida mineira, do IGP-DI, que é usado hoje, para o
IPCA, já tornará a dívida "pagável" até 2028.
Outro coordenador, Carlin Moura, assinala, com propriedade, que a dívida é um
subproduto do modelo de desenvolvimento econômico que vigorou no
país até pouco tempo. "A renegociação,
em 1998, foi feita com base nessa crença de que o poder do capital
resolveria tudo."
O ex-presidente e ex-governador Itamar
Franco, que quando da sua passagem pelo Palácio da Liberdade foi quem mais chamou a atenção
para o problema e foi na época perseguido pela União, será o
patrono da Frente Parlamentar em defesa da renegociação
da dívida. Boa lembrança.
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