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Hoje
em Dia, 19 de maio
de 2011 - Primeiro Caderno - Seção:
Política - Pág.
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Reforma
tributária preocupa
HEDIO
FERREIRA JÚNIOR
DA SUCURSAL
BRASÍLIA - A redução da alíquota do Imposto
sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)
entre 2% e 4% para os Estados, proposta ontem pelo ministro da Fazenda,
Guido Mantega, em reunião com governadores em Brasília,
dividiu opiniões e foi recebida com cautela. O Governo iniciou
um debate para discutir mudanças que farão parte da reforma
tributária que se propõe no país.
A preocupação dos governadores, porém, é de
como essas alterações na tributação ocorrerão
sem que os Estados sofram cortes e perdas nas suas arrecadações. "O
fundamental de uma melhoria na tributação é algo
que todo mundo está de acordo. O que não se pode pensar é numa
redução da receita", afirmou o governador de Minas
Gerais, Antônio Anastasia (PSDB), ao final da reunião.
Ainda de acordo com Anastasia, o objetivo deve ser o fortalecimento
da Federação, porém sem prejuízos. O governador
de Minas foi cauteloso quanto ao resultado da proposta do ministro da
Fazenda, dizendo que "não agradou nem desagradou". "A
filosofia é correta", completou.
Anastasia acredita que mudanças no imposto vão acabar com
a guerra fiscal entre os Estados
Anastasia disse ainda que a necessidade de se debater mudanças
na arrecadação do ICMS é correta, pois se trata
do "imposto mais complicado do mundo." Segundo ele, é preciso
que nessa discussão todos os Estados sejam atendidos, de modo,
inclusive, a acabar com a guerra fiscal que prejudica alguns entes federativos".
Essa disputa gera prejuízos na arrecadação do país.
Um dos benefícios do fim dessa guerra fiscal seria a redução
dos preços dos produtos sobre os quais incidem o tributo. Aos
governadores não foi apresentada ainda quais seriam as perdas
e ganhos dos Estados com a redução da alíquota.
A solução já aventada por Mantega seria a criação
de um fundo de compensação, ou o Fundo de Participação
dos Estados (FPE).
Participaram da reunião os governadores dos Estados mais ricos
do país. Além de Anastasia, estavam os governadores de
São Paulo, Geraldo Alckimin (PSDB), do Rio de Janeiro, Sérgio
Cabral (PMDB), do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), do Paraná,
Beto Richa (PSDB), do Espírito Santo, Renato Casa-grande (PSB),
além do vice-governador de Santa Catarina, Eduardo Moreira.
Endividado
O Governo
de Minas paga juros altíssimos por sua dívida.
Não custa lembrar que o Estado desembolsa à Cemig o valor
do IGP-Dl mais 8,78%; e ao Governo federal, o IGP-DI mais 7,5%. Aliás,
acordo fechado com a União pelo então governador Eduardo
Azeredo (PSDB) que, à época, considerou este um negócio
da Arábia, enquanto a maioria dos estados paga IGP-DI mais 6%
ao Governo federal. E olha que o presidente era o tucano Fernando Henrique
Cardoso, que o deputado Marcus Pestana, até hoje, defende por
sumidade política. Diante da brutal e implacável dívida é preciso
saída. O Brasil se livrou do FMI. Hoje, Minas Gerais tem cacife
para falatórios outros com a presidente Dilma Rousseff (PT). Também
na Cemig, a melhor energia do Brasil. Existe dinheiro barato no mercado. Ávido
por tomadores. Enquanto isso, o mundo político e a sociedade civil
organizada assistem a tudo no costumeiro silêncio e... sem propostas.
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