Hoje
em dia, 19
de janeiro de 2011 - Primeiro Caderno -
Seção:
Política - Pág.
3
PT no Supremo contra leis
LUCCA FIGUEIREDO
O PT contestará no Supremo Tribunal Federal (STF) as leis delegadas
que dão ao governador Antônio Anastasia (PSDB) poderes para
alterar órgãos da administração direta e
indireta, por meio da criação, fusão e extinção
de secretarias e mudanças nas atribuições de funcionários
que ocupam cargos de confiança. O presidente nacional do PT, José Eduardo
Dutra, entrará com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade
(Adin) para pedir que o STF declare ser irregular todas as medidas tomadas
pelo tucano até agora no Estado com o uso das leis.
A documentação já foi encaminhada pelo diretório
estadual da legenda e, nos próximos dias, o PT deve acionar a
Justiça. "O material já foi encaminhado ao presidente
Dutra. Também houve irregularidades em Goiás. Ele vai acionar
a Justiça para desfazer o que foi determinado pelos governadores
dos dois estados", disse o presidente estadual petista, Reginaldo
Lopes.
Paralelo à ação em Brasília, o partido também
já acionou o Tribunal de Justiça de Minas Gerais com outra
Adin. Se o texto for aprovado, todas as medidas já determinadas
pelo governador poderão anuladas. Atualmente, a ação,
apresentada no fim do ano passado, aguarda o parecer do relator, desembargador
Armando Freire. "O governador Anastasia criou várias secretarias
e abusou na hora de utilizar o poder que foi dado a ele. As mudanças
não foram analisadas pela Assembleia", afirmou o deputado
Rogério Correia.
Advogado sugere análise dos limites
De acordo com o advogado Sacha Calmon, se alguma das ações
for aceita pela Justiça, todos os que foram contratados para ocupar
os espaços criados nos dois governos perderão o cargo. "A
medida é retroativa. É preciso avaliar de que forma a Lei
Delegada, que é prevista na Constituição, foi empregada.
Tem que examinar se os atos extrapolaram o limite determinado".
Além da questão judicial, o PT promete atacar em outra
frente. A intenção é tentar barrar as leis delgadas
com uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
na Assembleia e outra na Câmara dos deputados. Já na abertura
dos trabalhos das duas casas, no início de fevereiro, eles vão
começar a colher assinaturas para o texto.
"Isso é um resquício da ditadura. Se conseguirmos aprovar
a matéria em Brasília, ela valerá para todo o Brasil.
O projeto já está sendo redigido e em breve vamos começar
a pedir o apoio dos deputados", disse Lopes.
Ao mesmo tempo, Rogério Correia tentará acabar com a medida
em nível estadual. Ele alega que a Lei Delegada foi usada para
atender aos aliados tucanos com cargos. "Não há mais
espaço para essas coisas nos dias atuais. É contra a democracia.
Em Minas só serviu para tentar unir a base aliada do PSDB de olho
em 2014". Para tentar derrubar a matéria em Minas, o PT terá de
colher 27 assinaturas. Já na Câmara federal, é preciso
o aval de 171 deputados.
|