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Hoje
em Dia, 18 de maio
de 2011 - Primeiro Caderno - Seção:
Política - Pág.
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Receita
12% maior em 2012 não
garante ganho salarial
Governo
prevê arrecadar R$ 5,5 bilhões a mais, mas reajuste
será discutido internamente
Amália
Goulart
O Governo do Estado espera um incremento na receita de
cerca de R$ 5,5 bilhões para o próximo ano, a maior parte referente ao
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS). A arrecadação em 2012, ano eleitoral, deve ser
12% maior na comparação com 2011. Mas o dinheiro em caixa
não significará reajuste imediato para o funcionalismo.
Até então, o governador Antonio Anastasia (PSDB) vinha
condicionando a possibilidade de reajuste dos servidores estaduais ao
aumento da receita.
Porém, de acordo com o subsecretário mineiro de Planejamento,
Orçamento e Qualidade do Gasto, André Reis, apesar da expectativa
de aumentar a arrecadação, a folha de pagamentos também
deverá crescer, por isso, não é dado como certo
o aumento dos vencimentos. "O próprio crescimento da despesa
consome (o aumento da receita). Sem dar qualquer aumento ao funcionalismo,
a folha já cresce em valores consideráveis", afirmou.
Para ele, a possibilidade de reajuste "terá que ser discutida
internamente". O crescimento vegetativo da folha está relacionado
ao pagamento de benefícios e gratificações, que
aumentam a cada ano. Para 2011, a previsão é fechar a contabilidade
com receita de R$ 46,17 bilhões, saltando para R$ 56,99 bilhões
em 2012, o que daria um acréscimo de 23,43%. No entanto, conforme
o subsecretário, o índice não é real. Isto
porque o Estado terá que seguir recomendação da
Secretaria Nacional do Tesouro (STN) e Secretaria do Orçamento
Federal que orientam sobre a contabilidade das despesas com pessoal. "O
dinheiro do Tesouro dá uma volta no orçamento", alegou
Reis.
Para atender a demanda da STN, o Governo informou que
vai contabilizar como receita o recurso proveniente do Tesouro Nacional
para dar suporte
ao pagamento de aposentados e pensionistas, o que não ocorre hoje.
Os números serão apresentados hoje no plenário
da Assembleia Legislativa. Eles compõem a Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO). Na última sexta-feira, Reis entregou o projeto ao secretário
geral da Mesa, José Geraldo Prado. Hoje, o documento, que está acompanhado
de uma mensagem do governador, será protocolado. Isto significa
que ele começará a tramitar, dando possibilidade aos deputados
estaduais de se inserirem na discussão.
Pela proposta, o aumento de arrecadação do ICMS será o
principal expoente do crescimento da receita. Para 2012, devem ser recolhidos
R$ 31,52 bilhões em ICMS, valor 14% superior ao que está previsto
para ser apurado neste ano. Para realizar os cálculos, Reis informou
que o Estado trabalhou com os mesmos parâmetros fiscais da União:
inflação de 4,5% e crescimento do Produto Interno Bruto
(PIB) em 5%. A LDO servirá de base para a Lei Orçamentária
Anual.
Oposição propõe
um aumento anual
O reajuste de servidores e a alteração na contabilidade
para os gastos em Saúde e Educação serão
os principais focos de polêmica da Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO) para 2012. Além disso, a oposição também
pretende fazer uma análise completa da alteração
na forma de declarar as despesas com pessoal. Para isso, já solicitou
cópia e esclarecimentos da portaria da Secretaria Nacional do
Tesouro (SNT).
No que diz respeito ao reajuste salarial, o deputado estadual Rogério
Correia (PT), líder da oposição, disse que o bloco
contrário ao Governo, denominado "Minas sem Censura",
vai apresentar uma emenda à LDO propondo o aumento anual dos vencimentos
do funcionalismo mineiro.
Segundo ele, o índice para o cálculo do reajuste terá que
levar em conta o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), nos três
anos anteriores à concessão do aumento, além da
recomposição das perdas com a inflação. "Queremos
ter a garantia de que terá reajuste anual. Por isso, vamos estabelecer
critérios para o salário", afirmou.
Em outra ponta, o parlamentar informou que serão apresentadas
emendas à lei para que os gastos com aposentados e pensionistas
da área da Educação não sejam contabilizados
como investimentos no setor. "Vamos também procurar o Ministério
Público para tentar solucionar este problema", garantiu Correia.
Na Saúde, a ideia é impedir que as despesas da Copasa sejam
computadas no setor.
A oposição ainda pretende incluir na LDO o que chamam de "Lei
de Responsabilidade Social". "A cada dois ou três meses
o Governo tem que dizer se estão sendo cumpridas as metas para
os programas sociais. E são metas físicas, não financeiras",
disse Correia.
A LDO, que já está na Assembleia, propõe a divulgação
frequente de relatórios de acompanhamento dos programas sociais
e dos projetos relativos à Copa do Mundo de 2014. O debate sobre
a lei vai provocar ainda mais controvérsia entre a base do governo
e a oposição. Correia prometeu que o bloco de oposição
vai dar vazão à estratégia, já em prática,
de obstrução das votações. A ideia é impossibilitar
a apreciação e plenário das cerca de 20 indicações
do governador Antonio Anastasia (PSDB) para entidades ligadas à administração.
Para tentar conter a crise, o presidente da Casa, Dinis Pinheiro (PSDB),
começou a atuar, conversando reservadamente com os líderes,
já que a base também mostra descontentamento.
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