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Hoje
em dia, 13
de abril de
2011 - Primeiro Caderno - Seção: Minas
- Pág. 19
Presos
empresários suspeitos de fraude
milionária com remédios
Ildeu
de Oliveira e Renato Alves são acusados de vários
crimes, como sonegação fiscal de R$ 19 mi
Iracema
Amaral e Gabi Santos
Os empresários do setor farmacêutico Ildeu de Oliveira
Magalhães e Renato Alves da Silva foram presos, na manhã de
desta terça-feira (12), em Belo Horizonte, suspeitos de cometer
diversos crimes relacionados à produção e venda
de medicamentos. Magalhães e Silva tiveram as prisões temporárias
decretadas pela Justiça para averiguação de negócios
ilícitos nas três empresas das quais são sócios
para produção e distribuição de medicamentos.
Os dois são investigados desde 2009 por 130 servidores públicos
da Promotoria de Justiça do Estado de Minas Gerais, das polícias
Civil e Militar, Receita Estadual e Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa).
O promotor Renato Fróes Alves, que coordenou a ação
batizada de Operação Panaceia, disse que “há fortes
indícios” de que os dois empresários estão
envolvidos em fraudes de licitações, adulteração
de medicamentos, sonegação e evasão fiscal, além
de formação de quadrilha para cartelização
visando a venda de remédios. Se condenados, eles podem pegar até 29
anos de prisão, além de pagar multas por formação
de cartel.
O promotor informou que ainda não é possível quantificar
o prejuízo gerado por esses dois empresários aos cofres
públicos. Por enquanto, há apenas “valores subestimados”,
feitos de forma preliminar pelas autoridades envolvidas no caso. A Promotoria
estadual já sabe que houve evasão de divisas de R$ 3 milhões.
O dinheiro foi parar em um banco norte-americano sem o registro legal
no Banco Central. “Esse dinheiro sumiu da conta nos Estados Unidos
e nos documentos apreendidos hoje (terça-feira) identificamos
outras duas contas no exterior, que ainda vamos investigar de onde são”,
informa o promotor.
O subsecretário da Receita Estadual, Gilberto Silva Ramos, disse
que já foram rastreadas sonegações fiscais, nos últimos
oito anos, que somam R$ 19 milhões. De acordo com ele, esses valores
podem ser ainda maiores em função de documentos e computadores
apreendidos nas casas e empresas dos dois suspeitos. O material encontrado
pode conter registros de movimentação de caixa 2.
A promotora da Comarca de Sabará, Ana Carolina Pinto Coelho, informou
que mesmo estava terminando de redigir mais uma denúncia contra
os dois empresários. Também relacionadas à sonegação
fiscal. Ela informou que os valores sonegados de ICMS somam R$ 9 milhões.
A Operação Panaceia foi desencadeada depois de denúncia
ao Ministério Público Estadual, acusando os dois empresários
de enriquecimento ilícito. O promotor Renato Fróes Alves
disse que o patrimônio pessoal “subestimado” dos dois
empresários soma R$ 12 milhões.
Alves disse que desde terça-feira foi constituída uma força-tarefa
para analisar os documentos e computadores apreendidos nas casas e nas
três empresas dos suspeitos. Eles são donos da Hipolabor,
Sanval, ambas laboratórios de produção de medicamento,
e a Rhamis, que faz a distribuição da produção.
Dessa força-tarefa, participam, além do Ministério
Público, a Receita Estadual e a Secretaria de Direito Econômico,
do Ministério da Justiça, e a Anvisa.
Essa secretaria vai ajudar a apurar as denúncias de cartelização
em pregões da Secretaria de Estado de Saúde. Não
há suspeita de envolvimento de servidores públicos estaduais.
Os prejuízos gerados ainda não foram levantados. Mas a
representante da Secretaria de Direito Econômico, Ana Maria Melo
Netto, disse que, em média, a combinação de preço
prévio entre empresas – caracterizando o cartel –,
representa um superfaturamento da ordem de 20%.
O promotor Renato Fróes diz que nesse esquema fraudulento mais
sete empresas de outros estados da federação podem estar
envolvidos. Ele afirma que, por enquanto, as investigações
correm sob sigilo, e podem envolver licitações em outros
estados e prefeituras.
Arma e dinheiro apreendidos
Policiais e agentes de fiscalização surpreenderam os empresários
Ildeu de Oliveira Magalhães e Renato Alves da Silva, logo no início
da manhã, em suas residências. No apartamento triplex de
Ildeu, no Bairro de Lourdes, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte,
foram apreendidos computadores, documentos que comprovariam remessas
ilegais de dinheiro para o exterior, arquivos pessoais, 112 mil euros,
30 mil dólares e um revólver calibre 32. O empresário
não apresentou o registro de porte da arma. Em seguida, ele saiu
preso, conduzido pelos policiais até à viatura que o levou
para o Ceresp São Cristóvão, na Região Noroeste,
onde ficaria detido por cinco dias.
O mesmo procedimento de cumprimento de mandado judicial de busca e apreensão
de documentos e computadores foi realizado no apartamento do sócio
de Ildeu, o químico Renato Alves, no Bairro Belvedere, na Região
Centro-Sul. Ele também saiu preso para o Ceresp São Cristóvão.
Além das residências dos empresários, os agentes
vistoriaram dois laboratórios da Hipolabor, nas margens da BR-381,
no Bairro Borges, em Santa Luzia, na Grande BH. Nos locais, os funcionários
foram informados que poderiam ficar dentro dos prédios, cumprindo
o horário de trabalho, mas não poderiam desenvolver nenhuma
atividade. A paralisação nestes locais poderá se
estender por até 15 dias, período que os agentes da Receita
Estadual e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) podem precisar para terminar o recolhimento de remédios,
documentos e outros objetos para serem analisados.
A Operação Panaceia envolveu 130 agentes do Ministério
Público Estadual, polícias Militar e Civil, Receita Estadual,
Anvisa e Ministério da Justiça. O grupo se encontrou em
um batalhão da Polícia Militar, no Bairro do Prado, na
Região Oeste da capital, no fim da madrugada. A maioria dos integrantes
da operação só ficou sabendo o que seria feito e
os nomes e endereços dos envolvidos na investigação
instantes antes da saída de quatro grupos. Dois foram para o endereços
dos empresários e dois para os laboratórios.
Empresário farmacêutico na mira do Ministério
Público
As
investigações começaram após mortes supostamente
causadas por remédios produzidos pela indústria farmacêutica
Amanda
Paixão
Um
empresário do ramo farmacêutico é novamente alvo
de uma megaoperação realizada na manhã desta terça-feira
(12) em Belo Horizonte e Grande BH. Ildeu de Oliveira Magalhães,
dono do laboratório Hipolabor, é suspeito de evasão
de divisas, sonegação de impostos, falsificação,
corrupção e remessa de recursos para o exterior.
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais, quatro mandados
de busca e apreensão e dois de prisão estão sendo
cumpridos por agentes do MP e do Ministério da Justiça,
fiscais da Receita Estadual, além da Polícia Civil e 36
militares. Um dos mandados de prisão foi expedido para o diretor
da empresa, Renato Alves da Silva, que também está sendo
investigado.
Policiais fazem buscas nas residências dos suspeitos, nos bairros
Belvedere e Lourdes, ambos na Região Centro-Sul da Capital. Os
outros mandados são cumpridos nos bairros Eymard, Cidade Nova
e Castelo, em BH, e Borges, em Sabará, na Região Metropolitana.
As investigações começaram há aproximadamente
um ano depois que quatro pessoas morreram ao ingerir remédios
produzidos pela Hipolabor. A empresa tem no mercado produtos injetáveis,
líquidos, sólidos e semi-sólidos. Uma coletiva está programada
para às 11 horas na sede do Procuradoria Geral da Justiça
em Belo Horizonte para esclarecer a operação.
Fraudes
As investigações foram coordenadas pelo Centro de Apoio
Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica
e Tributária (Caoet) e pela Promotoria de Justiça de Sabará.
O objetivo foi desvendar a possível existência de uma organização
criminosa voltada para a prática de crimes de sonegação
fiscal, formação de cartel, fraude à licitação,
entre outros. Há suspeitas também de fabricação
irregular de medicamentos.
Uma das empresas investigadas já esteve envolvida em, pelo menos,
duas ocorrências criminais. Dessas ocorrências, uma resultou
na morte de pacientes usuários de produto por ela fabricado.
O grupo econômico investigado participa de licitações
por intermédio dessas três empresas, muitas vezes de forma
simultânea. Esse fato levantou a suspeita de fraude em algumas
das concorrências vencidas.
Em relação a um medicamento de uma das empresas, foi apurado
que o preço da venda no atacado é de R$ 6, e no varejo
o preço médio é de R$ 130. Essa diferença
seria um indício de subfaturamento de grandes proporções,
pois a tributação se dá sobre o preço original
de venda.
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