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Folha
de São Paulo, 4 de maio de 2011 -
Primeiro Caderno - Seção: Poder - Pág. A8
Dilma troca obras por fim de guerra fiscal
Governo
vai propor compensações a Estados, como projetos
do PAC, por perdas com a extinção de incentivos fiscais
Proposta
pelo fim da chamada "guerra dos portos" deverá ser
feita a governadores em reunião no fim de maio
VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA
A presidente Dilma Rousseff vai propor aos governadores
compensações
financeiras, como por exemplo obras do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento), em troca do fim da chamada "guerra dos portos".
A ideia é compensar as perdas de investimentos que alguns
Estados terão com a extinção de incentivos que
reduzem ou isentam a cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços) de produtos importados.
Os Estados dizem que tomam essas medidas para atrair empresas.
A proposta será feita pela presidente em reunião com
os governadores, agendada inicialmente para o final de maio, quando
será debatida a proposta de reforma tributária do Palácio
do Planalto.
Além de acabar com a "guerra dos portos", promovida
por Estados que reduzem a alíquota de ICMS de produtos importados,
o Planalto vai propor a unificação e a simplificação
de toda legislação do imposto.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson
Barbosa, disse à Folha que o governo está calculando
as perdas que cada Estado terá para fazer a proposta de compensação. "Podemos
fazê-las via PAC", afirmou.
A proposta do governo reduz a alíquota geral do ICMS nas operações
interestaduais de 12% para 8% em 2012. Em 2013, cairia para 4%, ficando
em 2% em 2014.
Os Estados sinalizam que o melhor seria fazer uma redução
gradativa até 4%, que valeria para produtos importados e nacionais.
O governo topa a solução. Com essa nova regra, os Estados
não poderiam mais conceder incentivos nas importações
por meio de seus portos.
Aprovada a nova ideia, os produtos importados pagariam a mesma alíquota
de ICMS dos nacionais nas operações interestaduais,
acabando com as vantagens hoje concedidas às importações
por alguns Estados.
Além disso, acabaria também com a guerra fiscal entre
os Estados. Hoje, um produto importado pode ganhar uma redução
no pagamento de ICMS, mas não perde o crédito de 12%
do imposto nas operações interestaduais.
Com isso, quem perde é o Estado de destino do produto, que é obrigado
a bancar um crédito de 12% de ICMS, quando o pagamento pode
ter sido só de 3%.
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) já entrou
com ações de inconstitucionalidade no STF (Supremo
Tribunal Federal) contra quatro Estados que praticam ou já praticaram
incentivo que reduz o ICMS de importados -Santa Catarina, Paraná,
Goiás e Pernambuco.
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