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Folha
de São Paulo, 4 de maio de 2011 -
Primeiro Caderno - Seção: Mercado - Pág.
B3
Dilma pode reduzir tributo da conta de luz
Governo
avalia volta da regra antiga para o PIS/Cofins, com incidência
cumulativa, mas com alíquota mais baixa
Sem
cumulatividade, tributação atual é de 9,25%;
com incidência em todas as etapas, alíquota é de
3,65%
LEILA COIMBRA
VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA
O governo Dilma
Rousseff estuda um conjunto de medidas para conter o aumento dos
preços da energia elétrica e reduzir
os custos da indústria e do comércio.
A pedido da presidente, um grupo deve ser criado para analisar a
questão. Ele será formado pelos ministérios
da Fazenda, do Desenvolvimento e de Minas e Energia e da Aneel (Agência
Nacional de Energia Elétrica).
Dentre as possibilidades está a desoneração
da conta de luz, com a mudança da cobrança do PIS/Cofins.
O tributo poderia voltar a ser cobrado como antes de 2003, quando
incidia cumulativamente em toda a cadeia do setor elétrico.
O percentual, na época, era de 3,65% (PIS de 0,65% e Cofins
de 3%). Agora, o impacto não é cumulativo, mas a alíquota
subiu para 9,25% no final do processo.
Com a mudança no PIS/ Cofins, o peso dos tributos federais
na conta de luz subiu de 6,9% em 2002 para 13,9% em 2009, segundo
estudo da PriceWaterhouse Coopers.
A alteração na cobrança desse tributo sobre
o consumo é promessa de campanha de Dilma e pedido antigo
do setor elétrico.
As medidas de desoneração da conta de luz não
serão baixadas neste ano por conta das dificuldades de caixa
do governo federal, decidido a fazer um corte de R$ 50 bilhões
no Orçamento para ajudar o Banco Central no combate à inflação.
ENCARGOS
Também está em estudo a revisão dos encargos
na tarifa de energia. Eles não são impostos e existem
apenas no setor elétrico. Pelo menos 14 deles estão
embutidos na fatura do consumidor.
Os encargos servem para bancar subsídios para a geração
de energias alternativas e para programas sociais como o "Luz
para Todos".
Outro item a ser estudado pelo grupo é a mudança na
fórmula de reajuste das distribuidoras, aplicado anualmente
pela Aneel.
A cada quatro anos as empresas de energia passam por uma revisão
mais ampla, em que todos os seus custos e ganhos de produtividade
são avaliados.
Em 2011 teve início o terceiro ciclo, mas a agência
reguladora ainda não definiu as novas bases de cálculo.
O novo modelo ainda está em consulta pública.
A intenção do governo é que sejam repassados
ao consumidor os ganhos de produtividade das concessionárias
de energia.
Cláudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil, diz
que hoje a carga tributária no setor elétrico chega
a 45% do total, o que significa um peso muito grande para os consumidores
e a perda de competitividade da indústria nacional.
Para ele, é preciso que o governo reveja com urgência
os encargos na tarifa, em especial a RGR (Reserva Global de Reversão),
cuja extensão da cobrança até 2030 está no
Congresso à espera de votação. O governo já sinalizou,
porém, que não pretende mexer na RGR, que arrecada
R$ 1,6 bilhão por ano.
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