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Folha
de São Paulo, 29 de março de 2011 - Primeiro
Caderno - Seção: Poder - Pág. A12
Reajuste de 4,5% na tabela do IR vale desde janeiro
Valor
pago a mais em três meses será compensado na
declaração de 2012
Receita
diz que perderá R$ 9,37 bi em quatro anos; para compensar,
taxação sobre cervejas e refrigerantes vai subir
LORENNA RODRIGUES
DE BRASÍLIA
A correção em 4,5% na tabela do Imposto de Renda,
publicada ontem pelo governo, terá efeito retroativo a janeiro.
O contribuinte que teve o tributo retido na fonte ou pagou a mais
nos três primeiros meses do ano terá esse valor compensado
na declaração do ano que vem.
A partir de abril, o total recolhido mensalmente passará a
ser menor: uma pessoa que ganha R$ 5.000, por exemplo, hoje tem R$
570,60 retidos na fonte. Agora, terá descontados R$ 539,43,
considerada a dedução para a Previdência Social.
No ano que vem, ao fazer a declaração, o programa calculará automaticamente
o imposto devido, com base na tabela corrigida. A diferença
dos três primeiros meses de 2011 será devolvida por
meio de restituição maior ou menos impostos a pagar.
Na medida provisória publicada ontem, o governo determinou
que a correção de 4,5% seja feita até 2014.
Com isso, quer evitar o embate anual com centrais sindicais e o Congresso,
a exemplo do que ocorreu com o reajuste do salário mínimo.
O percentual utilizado equivale ao centro da meta para a inflação,
embora a expectativa do mercado e do governo seja de que a alta dos
preços vai superar 4,5%.
Serão elevados também em 4,5% os valores da dedução
com educação e com dependentes, da isenção
adicional de aposentados e do desconto simplificado.
Em quatro anos, o governo deixará de arrecadar R$ 9,37 bilhões
com a correção. Um trabalhador que pague alíquota
de 27,5% sobre seus rendimentos, como no exemplo acima, do salário
mensal de R$ 5 mil, terá ganho máximo de R$ 1.733,81
no período, já considerando o 13º salário.
Para compensar, o governo elevou a taxação sobre compras
com cartão de crédito no exterior e sobre cervejas
e refrigerantes.
EQUILÍBRIO
Com o aumento do IOF de 2,38% para 6,38%, o governo, além
de arrecadar R$ 802 milhões a mais neste ano, quer equilibrar
as contas externas. Para fechar a conta, reajustou a tabela de preços
que é referência para a cobrança de tributos
sobre cervejas e refrigerantes. O aumento, que deverá ser
repassado ao consumidor, foi de 15% em média e deve render
R$ 948 milhões a mais ao fisco neste ano.
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