Folha
de São Paulo, 27 de fevereiro de 2011 - Primeiro
Caderno - Seção: Opinião - Pág.
A2
Editoriais
editoriais@uol.com.br
Idade
mínima
Reportagem desta Folha dá conta de que o governo considera
a possibilidade de mudanças na Previdência, apesar de
sinais em contrário da presidente durante a campanha eleitoral.
A confirmar-se, seria uma mudança sensata. Os dois regimes
previdenciários do país -o INSS, que atende os trabalhadores
celetistas, e o regime especial do funcionalismo público-
precisam passar por reformulações.
No INSS, a questão principal é o envelhecimento da
população. O Brasil vai se beneficiar do chamado bônus
demográfico (quando a relação entre os que contribuem
e a que recebe pensões é favorável) nos próximos
15 anos -mas depois a situação mudará. O IBGE
projeta que em 2050 o país terá quase 10% da população
com idade acima de 60 anos, contra 3% no ano passado. E a expectativa
de vida ao nascer atingirá 81 anos, alta de oito anos em relação à atual.
O Brasil já gasta em aposentadorias somas próximas às
de países mais maduros -cerca de 8,5% do PIB em 2010. Mantidas
as regras atuais, tal cifra pode atingir 16,5% do PIB até 2050.
O governo cogita adotar uma idade mínima obrigatória
(de 65 no caso de homens e 60 no de mulheres) para a concessão
de aposentadoria aos que venham a ingressar no mercado, em troca
do fim do fator previdenciário -o redutor criado em 1999 para
desencorajar aposentadorias precoces.
A mudança equivaleria a um aumento de 12 anos no período
de contribuição, já que atualmente o benefício
pode ser concedido aos 53 anos, desde que o beneficiário tenham
contribuído por 35 anos.
É
imprescindível também modificar as regras para o funcionalismo
público. Tal regime produziu um deficit de R$ 25 bilhões
no primeiro semestre do ano passado para atender a 938 mil segurados.
Já na iniciativa privada, o resultado foi negativo em R$ 22,6
bilhões para pagar benefícios a 27,5 milhões
de pessoas. Em 2003, foi aprovada uma emenda para igualar o teto
dos benefícios, mas ainda não foi regulamentada.
Mudanças na Previdência são politicamente espinhosas.
Adotar novas regras para os que chegam ao mercado é um caminho
menos problemático, mas não deve o governo se acomodar
a essa circunstância. É preciso enfrentar os obstáculos
e impedir que o sistema caminhe para o colapso. |