Folha
de São Paulo, 18 de fevereiro de 2011 - Primeiro
Caderno - Seção: Poder - Pág. A7
Governo
quer fixar regra duradoura para correção
do IR
Presidente
planeja minar dependência
do Legislativo
Objetivo é evitar
que o assunto seja usado anualmente como barganha para pressionar
Planalto e
obter favores
Dilma
irá enviar para o Congresso uma medida provisória
que reajusta o Imposto de Renda até o final de seu mandato
DE
BRASÍLIA
Depois de aprovada a política de reajuste automático
do salário mínimo pelos próximos cinco anos,
o governo vai baixar outra proposta que deve reduzir sua dependência
em relação ao Congresso: uma medida provisória
reajustando a tabela do Imposto de Renda na fonte até o final
do mandato da presidente Dilma Rousseff.
Os dois temas sempre foram usados pela oposição, governistas
insatisfeitos e centrais sindicais para pressionar e arrancar favores
do governo a cada ano.
Em seu mandato, o ex-presidente Lula tentou aprovar oficialmente
a mesma regra de reajuste automático do salário mínimo
em seu segundo mandato.
Não conseguiu por insatisfações na base aliada.
A regra foi usada informalmente em seu governo, o que não
impediu o Congresso de buscar aumentos mais elevados.
O ex-presidente conseguiu, porém, aprovar uma medida provisória
definindo o reajuste do IR na fonte em 4,5% durante seu segundo mandato.
É
o mesmo percentual que Dilma irá fixar na medida que planeja
enviar ao Congresso caso a política de valorização
do salário mínimo seja aprovada.
POR DECRETO
Em seu projeto, a presidente incluiu a regra que permite a fixação
do valor, até 2015, por meio de decreto.
Esse ponto foi alvo de críticas na votação da
Câmara dos Deputados. A oposição tentou derrubá-lo,
mas foi derrotada. Agora, fará nova tentativa no Senado.
Segundo a oposição, essa regra tira poder do Congresso
porque o valor do salário mínimo deixa de passar pelo
crivo do Congresso nos próximos cinco anos, caso o projeto
seja aprovado também pelo Senado.
O governo se defende alegando que, ao aprovar a política que
dá aumentos reais ao mínimo com base no crescimento
da economia, fica definido como será o reajuste a cada ano.
Isso elimina, na visão de governistas, a necessidade de enviar
um projeto de lei sobre o tema todo ano ao Congresso.
O objetivo do governo, porém, é exatamente esse. Criar
uma política que evite a exploração política
do reajuste do mínimo e da tabela do IR a cada ano, o que
sempre resulta em desgaste para o Palácio do Planalto.
As duas medidas, contudo, podem ser alteradas pelo Congresso. A mudança
depende apenas de que uma maioria simples aprove um novo projeto
de lei acabando com a figura do reajuste por meio de decreto e aumentando
o percentual de aumento do Imposto de Renda na fonte.
(NATUZA NERY E VALDO CRUZ)
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