Folha
de São Paulo, 15 de fevereiro de 2011 -
Caderno Opinião - Seção: Editoriais
- Pág.
A2
Editoriais
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Meta sob risco
Situação dos Estados desfavorece cumprimento da meta
de superavit primário do setor público, que poderá,
novamente, não ser atingida
Fica cada vez mais patente que a meta
de economia do setor público
para pagar os juros da dívida está mais uma vez sob
risco. O corte de R$ 50 bilhões no Orçamento federal é um
passo importante, embora insuficiente, para chegar ao superavit primário
pretendido pelo governo. A outra parcela do aperto, a cargo de Estados
e municípios, dificilmente será realizada.
Esse descumprimento crônico da meta de superavit tem reflexo
direto na economia, pois contribui para manter os juros no patamar
muito alto em que se encontram, de 11,25% ao ano -e subindo.
Além disso, uma gestão orçamentária mais
eficiente permitiria direcionar os recursos para onde são
mais necessários.
A meta de superavit para 2011 é de R$ 117,9 bilhões,
o equivalente a 2,91% do PIB. A quantia correspondia a 3,1% quando
o objetivo foi fixado no ano passado -mas as projeções
mudaram e o governo decidiu adotar o valor nominal.
A União é responsável por cerca de 70% dessa
economia. O restante é da alçada de Estados e municípios,
que estão longe de se enquadrar na projeção
feita pelo governo federal. Os quatro maiores -São Paulo,
Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul- obterão
um superavit bem menor neste ano do que em 2008, a última
vez em que se atingiu a meta.
A situação financeira dos Estados melhorou de modo
considerável desde a renegociação das suas dívidas,
no final da década de 1990, e da criação da
Lei de Responsabilidade Fiscal, no governo FHC, em 2000. No entanto
ainda há casos de descontrole e de gestões em favor
do afrouxamento das exigências legais.
Em cinco Estados, o gasto com funcionalismo ultrapassa o limite autorizado.
Em ao menos outros três está próximo do teto.
Caso não se ajustem, as sanções previstas precisam
ser aplicadas, sob pena de se desmoralizar esse valioso instrumento
de controle.
Passada a eleição, governadores já se articulavam
para novas tratativas com o governo federal sobre o endividamento.
Eventuais injustiças devem ser corrigidas, mas sempre sem
perder de vista o cumprimento estrito da lei.
Antes uma imposição do Fundo Monetário Internacional
a governos quebrados, a economia para o pagamento de juros adquiriu
status de medida sensata na administração pública.
Ao lado da Lei de Responsabilidade Fiscal, é um instrumento
estratégico para manter as finanças em ordem.
O controle da inflação, como é óbvio,
cabe ao governo federal, e a diminuição de superavit
em alguns Estados deve-se a investimentos, o que não é criticável. É preciso
no entanto ter em mente o objetivo comum de conter a hipertrofia
do setor público e evitar pressões que se traduzam
em mais inflação e aumentos de juros.
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