Folha
de São Paulo, 14 de fevereiro de 2011 - Primeiro
Caderno - Seção: Poder - Pág. A40
Por
salário de R$ 545, Dilma
decide corrigir tabela do IR
Governo
espera que reajuste, de 4,5%, ajude a vencer resistência
de aliados
Se
aplicado, percentual irá elevar a faixa de isenção
do imposto de R$ 1.499 para R$ 1.566; centrais queriam mais
ANA FLOR
DE BRASÍLIA
Na semana em que tenta emplacar no Congresso o salário mínimo
de R$ 545, o governo decidiu que irá corrigir em 4,5% a tabela
do Imposto de Renda para 2011.
O reajuste da tabela significa que o trabalhador vai pagar menos
imposto (veja quadro ao lado).
Em outras palavras, o governo aceita arrecadar menos para evitar
o impacto nas contas de um mínimo acima dos R$ 545 -o salário é base
para o pagamento de aposentadorias pelo INSS.
A votação do mínimo, marcada para quarta-feira,
será o primeiro teste de fidelidade da base aliada do governo
de Dilma
Rousseff. Com a correção da tabela, o Planalto
avalia que poderá convencer parte da base descontente com
os R$ 545. As centrais, que defendiam uma correção
do IR em 6,46%, não têm seu pleito atendido integralmente,
mas conseguem manter uma regra que deixou de valer no ano passado.
As correções da tabela do IR em 4,5% ao ano de 2007
a 2010 foram adotadas após acordo para impedir que a reposição
salarial pela inflação fosse tributada. O acordo não
valia para 2011.
O anúncio será feito após a votação
do mínimo e está condicionado à aprovação
do valor proposto.
Se o percentual for confirmado, a faixa de isenção
do IR passará de R$ 1.499 para R$ 1.566.
Estudos mostram que a defasagem na tabela do IR de 1995 até 2010 é de
64,1%.
Há duas semanas, na única vez em que respondeu sobre
o tema, a presidente Dilma Rousseff já havia sinalizado concordar
com um reajuste da tabela do IR com base no centro da meta inflacionária
de 2011 -de 4,5%.
SURPRESAS
Além de PSDB e DEM, uma das principais resistências
ao mínimo de R$ 545 é o presidente da Força
Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva, do PDT, partido aliado.
Publicamente, Paulinho e a oposição defendem valores
acima de R$ 580, mas já falam em aceitar R$ 560 propostos
pelo DEM. Segundo o líder do governo na Câmara, Cândido
Vaccarezza, o valor desejado pelo governo de R$ 545 deve vencer "sem
surpresas".
Ontem, o cálculo de governistas era de que pelo menos 270
deputados votarão a favor da proposta -é necessário
a maioria simples dos presentes. Segundo a estimativa, em torno de
cem deputados da base seriam "infiéis".
Líderes do PT e PMDB prometem que suas bancadas votarão
com o governo, apesar de muitos parlamentares simpatizarem com os
R$ 560.
Além do argumento de que os R$ 545 seguem uma política
de ganho real no governo Dilma, outro recurso utilizado para convencer
os deputados é o pleito dos prefeitos, que afirmam não
poder arcar com aumento do mínimo tão grande neste
ano.
Na semana passada, o governo endureceu o discurso com os deputados
de sua própria base ao chamar antecipadamente de "dissidentes" os
que votarem contra o valor de R$ 545.
Colaborou MÁRIO SÉRGIO LIMA , de Brasília
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