Folha
de São Paulo, 10 de fevereiro de 2011 - Primeiro
Caderno - Seção: Poder
Mantega
condiciona correção de IR
a mínimo de R$ 545
Segundo
ministro, mudança na tabela do imposto
reivindicada por centrais sindicais significa uma perda de receita
de R$ 2,2 bi
DE
BRASÍLIA
O ministro Guido Mantega (Fazenda) condicionou ontem
a correção
da tabela do Imposto de Renda, reivindicação das centrais
sindicais, à permanência do salário mínimo
de R$ 545, que enfrenta resistência no Congresso.
Nos cálculos da Fazenda, a correção em 4,5%
significaria uma perda de receita de R$ 2,2 bilhões, que teria
de ser compensada por novos cortes no Orçamento.
Sem correção, a tabela gera ganho de arrecadação,
porque contribuintes que tiveram ganhos corrigidos pela inflação
passam a pagar alíquotas mais altas de IR.
Pelo raciocínio de Mantega, não há como arcar
simultaneamente com a perda de arrecadação e os custos
de um salário mínimo maior. Cada R$ 5 adicionados ao
mínimos significam gastos de R$ 1,4 bilhão ao governo.
O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força
Sindical, articula com a oposição e com setores da
base aliada para fechar o mínimo em torno de R$ 560. Aceitam
o valor PSDB, DEM e PPS e parte de PT, PMDB, PDT, PTB e PV.
A ideia é apresentar três emendas: uma de R$ 600, valor
defendido por tucanos, outra de R$ 580, das centrais sindicais, e
uma terceira e mais factível, de R$ 560.
"
Na hora do vamos ver, nos concentramos apenas em uma e ganhamos no
plenário", disse Paulinho.
Ontem, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza
(PT-SP), se reuniu com líderes aliados. Ele garante que há unidade.
Nenhum líder decidiu, porém, se irá punir deputados
que votem contra a orientação.
Mentor da proposta de R$ 600, o ex-governador José Serra (PSDB-SP)
esteve ontem no Congresso e disse que o valor é "perfeitamente
compatível" para ser absorvido pelo governo federal. (GUSTAVO PATU, MARIA CLARA CABRAL e GABRIELA GUERREIRO)
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