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Estado
de Minas, 4 de fevereiro de 2011 - Primeiro Caderno
- Seção:
Política
- Pág. 7
assembleia
Embate promete ser acirrado
Willian Dias/ALMG
No contra-ataque, tucano João Leite saiu em defesa das leis
delegadas
A
julgar pelos dois primeiros dias de trabalho na Assembleia Legislativa,
o embate entre
governo e oposição na nova legislatura promete
ser acirrado. Mal chegaram à Casa, os parlamentares já começaram
uma guerra de requerimentos para chamar integrantes do Executivo estadual
e do governo federal a prestar esclarecimentos. A briga será entre
as leis delegadas mineiras e medidas provisórias baixadas pela
presidente Dilma Rousseff (PT).
Quem
iniciou a discussão foi o bloco oposicionista batizado de
Minas sem Censura, que pede a presença da secretária de
estado de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena, no Legislativo
para explicar as leis delegadas editadas pelo governador Antonio Anastasia
(PSDB). O bloco se reuniu ontem para tratar
do assunto com 19 entidades sindicais e pede uma reunião com o presidente da Casa, Dinis Pinheiro
(PSDB), para pedir a votação do requerimento em plenário.
Além de uma discussão da necessidade das leis delegadas
publicadas até 31 de janeiro, querem que o governo explique a
criação de 1,3 mil cargos e tentarão revogar o texto
que institui um escritório de prioridades estratégicas
para o estado. Eles já entraram com ação direta
de inconstitucionalidade contra a delegação e vão
questionar as leis de fato editadas pelo governador. O grupo de 23 deputados
do PT, PMDB, PCdoB e PRB também pretende propor uma proposta de
emenda à constituição (PEC) para acabar com a possibilidade
de o Executivo formular leis delegadas. Segundo o líder do bloco,
Rogério Correia (PT), as leis delegadas seriam “resquícios
da ditadura”.
Enquanto
isso, o deputado estadual João Leite (PSDB) recolheu
assinatura dos colegas para convidar o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
para explicar a medida provisória federal que acabou levando a
Fiat a levar para o Pernambuco investimentos que inicialmente seriam
feitos em Minas. Conforme o tucano, pela MP, a União concedeu
isenção de R$ 4,5 bilhões em tributos para que a
nova fábrica fosse para aquele estado, o que acabou com a possibilidade
de R$ 3 bilhões previstos em solo mineiro.
Outra
presença solicitada é do ministro dos Transportes,
Alfredo Nascimento, que seria indagado sobre a situação
do Anel Rodoviário da capital, em razão do alto número
de acidentes. O deputado João Leite pede ainda a presença
do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, para
explicar o fato de a empresa ter desistido de levar um polo acrílico
para Ibirité, na Grande BH, e optado por mandar o investimento
para a Bahia. Segundo Leite, isso teria ocorrido por influência
do PT, principalmente do governador daquele estado, Jaques Wagner.
João Leite saiu em defesa do governo Anastasia e disse que as
MPs são muito mais prejudiciais que as leis delegadas. “Ontem
(anteontem) foi editada mais uma medida criando a autoridade olímpica
com 500 cargos, sendo que o que vai receber menos terá um salário
de R$ 15 mil. Isso que é abuso”, afirmou. Conforme o tucano,
a oposição deveria rever sua atuação. “Agem
contra Minas Gerais por medida provisória e vem a oposição
falar em lei delegada e criação de cargo?”, disse.
Rogério Correia rebateu dizendo que o presidente do Senado, José Sarney
(PMDB), pediu a redução de MPs à presidente Dilma
e que o aumento de cargos no governo federal durante os oito anos de
governo Lula não se assemelham aos de Minas. “O governo
do PT criou cargos, mas a maioria foi nas áreas da saúde
e educação e para servidores contratados por concurso público”,
disse. (JC)
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