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Estado
de Minas, 29 de janeiro de 2011 - Primeiro Caderno
- Seção:
Política
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Posse
ameaçada
Pobre deputado rico
Jayro
Lessa, que figura no topo da lista dos parlamentares mais endinheirados, é acusado
de usar recursos públicos na sua campanha e corre o risco
de perder a vaga na Assembleia
Alessandra Mello
Deputado
estadual mais rico do Brasil, Jayro Lessa (DEM), com um patrimônio
declarado de R$ 40 milhões, é acusado de usar dinheiro
público para bancar sua campanha. A Procuradoria Regional Eleitoral
quer cassar o deputado, eleito para seu terceiro mandato consecutivo,
por abuso de poder econômico e político, sob alegação
de que ele teria usado a verba que recebe mensalmente da Assembleia Legislativa
para custeio do mandato em benefício de sua candidatura.
O parlamentar é réu em uma ação de impugnação
do mandato eletivo que tramita no Tribunal Regional Eleitoral de Minas
Gerais (TRE-MG). Ele começou a ser investigado em abril do ano
passado, a partir de reportagens do Estado de Minas que revelaram o uso
indevido da verba indenizatória pela Assembleia. Jayro Lessa foi
um dos campeões de gastos com consultoria, combustível
e despesas com divulgação do mandato. A série de
reportagens revelou que deputados adiantaram o pagamento de despesas
gráficas para usar o crédito durante o período eleitoral,
prática vedada pela legislação e também por
uma deliberação da própria Assembleia. Os deputados
têm direito todos os meses a uma verba de R$ 20 mil para custeio
das despesas com mandato.
De janeiro
a junho do ano passado, Lessa usou R$ 74 mil da verba indenizatória
para quitar despesas com gráfica. A maior parte desses recursos
foi para quitar débitos com a Editora Premier, que também
imprimiu a maioria do material publicitário da campanha eleitoral
do deputado. Três meses antes da eleição, em junho,
o deputado pagou à editora, com recursos da verba indenizatória,
R$ 65,4 mil por serviços de impressão para a divulgação
do mandato. A deliberação da Assembleia estabelece que
em ano eleitoral a verba indenizatória não pode custear
despesas com divulgação do trabalho parlamentar três
meses antes das eleições de outubro.
Em sua prestação de contas apresentada ao TRE-MG, o deputado
declarou ter gasto R$ 164 mil em despesas com impressão de material
publicitário, sendo que mais da metade desse valor, R$ 85,1 mil,
também foi parar nas contas da mesma editora beneficiada com recursos
da verba indenizatória. Ao todo, a campanha do deputado custou
R$ 1,3 milhão, segundo prestação de contas apresentadas
ao TRE-MG, valor bem abaixo dos R$ 3 milhões previstos por ele
na declaração de expectativa de gastos apresentada à Justiça
Eleitoral.
Procurado
pela reportagem em seu gabinete na Assembleia, Lessa não
foi localizado para comentar as denúncias. Segundo sua assessoria,
ele estava viajando e não tinha como ser encontrado. O procurador
regional eleitoral Felipe Braga Netto não quis comentar a ação
de impugnação movida por ele contra o parlamentar. Segundo
Braga Netto, por determinação do Supremo Tribunal Federal
(STF) esse tipo de ação tramita em sigilo.
Na semana
passada, o TRE-MG decidiu que as representações
contra o deputado por uso indevido da verba indenizatória devem
tramitar em sigilo. Uma delas foi apresentada pela PGE para tentar impugnar
a diplomação do deputado. Como ele já foi diplomado
e sua posse está prevista para o dia 1º, a nova ação
pede agora a cassação do mandato eletivo de Lessa. Votado
em todas as regiões do estado, ele foi reeleito para o terceiro
mandato, com 54.594 mil votos.
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