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Estado
de Minas, 28 de fevereiro de 2011 - Primeiro Caderno
- Seção:
Política
- Pág. 6
Legislativo mineiro
Secretária vai explicar leis delegadas
Isabella Souto e Juliana Cipriani
Governo e oposição devem ter um debate acalourado amanhã cedo
na Assembleia Legislativa. A secretária de Estado de Planejamento
e Gestão, Renata Vilhena, vai atender o pedido da oposição
e comparecer às comissões de Constituição
e Justiça e Administração Pública para explicar
as leis delegadas editadas pelo governador Antonio Augusto Anastasia
(PSDB) em janeiro. Desde a abertura dos trabalhos no Legislativo, no
início deste mês, o bloco de oposição formado
por PT, PCdoB, PMDB e PRB vem insistindo em criticar os atos do Executivo.
Os parlamentares cobram explicações da delegação
e de alguns pontos como a criação de um escritório
de prioridades estratégicas para o estado. Os deputados estaduais
põem ainda em dúvida a necessidade de uma nova estrutura
e questionam a criação de 1,3 mil cargos comissionados
no estado. No encontro de amanhã, os parlamentares querem saber
também qual a necessidade desses novos cargos e os gastos previstos,
pois acreditam que o governo poderia gastar com a folha mais que o permitido
pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
O grupo de 23 deputados que integram
o bloco da oposição
também pretende propor uma proposta de emenda à Constituição
(PEC) para acabar com a possibilidade de o Executivo formular leis delegadas.
O PT e PCdoB mineiros já ajuizaram no Tribunal de Justiça
uma ação direta de inconstitucionalidade (adin) contra
as leis editadas por Anastasia. As direções nacionais do
PT e PCdoB também estudam a possibilidade de ajuizar uma adin
no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Nosso argumento é que as leis não preenchem os
requisitos previstos na Constituição Estadual, que é a
urgência e a emergência. Além disso, uma lei delegada
não poderia mexer na carreira de servidor, e isso foi feito”,
afirmou o deputado Carlin Moura (PCdoB). Esse argumento, aliás,
foi usado no ano passado pela oposição, que votou contra
durante a polêmica tramitação do projeto de resolução
prevendo a delegação ao governador Anastasia para editar
as leis, sem precisar do aval do Legislativo.
Discurso semelhante adotou o vice-líder do bloco da oposição,
deputado Antonio Júlio (PMDB). “É preciso que haja
uma emergência ou urgência para o governador editar leis
delegadas. E não vimos nas leis elaboradas este ano nenhuma emergência
ou urgência”, afirmou o vice-líder, que no ano passado
votou contra a delegação ao governo.
O convite a Renata gerou uma verdadeira
guerra de requisições.
Do lado do governo, o deputado João Leite (PSDB) apresentou requerimento
para convocar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para explicar uma
medida provisória do governo federal que acabou levando, por meio
de isenções de R$ 4,5 bilhões, a Fiat para Pernambuco.
O tucano também quer chamar o ministro dos Transportes, Alfredo
Nascimento, que seria indagado sobre a situação do Anel
Rodoviário da capital em razão do alto número de
acidentes. |