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Estado
de Minas, 24 de março de 2011 - Primeiro Caderno
- Seção:
Opinião -
Pág.
10
EDITORIAL
Tributos per capita
Em 80 dias deste ano, cada brasileiro pagou R$ 572,88 em impostos
Até segunda-feira, 21, início do outono, cada brasileiro,
segundo o Instituto de Estudos dos Direitos do Contribuinte, pagou, nos
primeiros 80 dias do ano, R$ 572,88 em tributos. O governo federal aufere
novos recordes na arrecadação de impostos de sua competência,
não ficando atrás a Previdência Social, graças à expansão
do número de empregos formais, ritmo que vem em ascensão
desde 2010. Vale ressaltar o mérito do combate à sonegação,
fraudes no Imposto de Renda (IR), o arrocho em cima das elisões
fiscais e das artimanhas legais que burlam o fisco. Isso tudo é bom
para o erário e prova a recuperação sustentável
da economia. Contudo, a população sempre está a
reboque quanto à contrapartida do poder público nos âmbitos
da saúde, educação, infraestrutura, segurança
etc.
O xis da questão está, pois, na decantada reforma tributária,
que, ao lado da política e previdenciária, entre outras,
vem sendo deixada de lado pelos poderes Executivo e Legislativo. O Impostômetro
da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), criado
em 2005, registrou a marca de R$ 300 bilhões de tributos pagos
exatamente no dia 21. Até 31 de dezembro, os brasileiros pagarão
R$ 1,45 trilhão em impostos, 11% a mais do que em 2010, quando
atingiu R$ 1,27 trilhão. Em 2010, a marca de R$ 300 bilhões
de tributos foi alcançada somente em 29 de março; em 2009,
em 13 de abril; e, em 2008, um dia depois. Com esse dinheiro, é possível
construir mais de 13,9 milhões de casas populares de 40 metros
quadrados, pagar mais de 550,4 milhões de salários mínimos
ou comprar mais de 1,3 bilhão de cestas básicas.
Nada melhor do que este Impostômetro da ACSP para alertar o brasileiro
sobre o quanto ele desembolsa para os cofres públicos a cada dia,
mês e ano. O modelo informa ainda o total de impostos pagos desde
janeiro de 2000 e faz estimativas de quanto será pago até dezembro
deste ano. Está faltando agora especificar nos produtos o valor
da mercadoria e os impostos, como ocorre nos Estados Unidos, com o tradicional
plus tax (além do tributo), quando o consumidor quer saber o valor
do imposto sobre a mercadoria que está adquirindo. Falar da pesada
carga tributária à qual a população brasileira
está submetida é prática até certo ponto
cansativa para a mídia. Contudo, o tema precisa ficar sempre à tona,
para que governantes e, especialmente, o Congresso Nacional o encarem
com destemor e promovam a esperada e necessária reforma. O que
não pode continuar no país é a injustiça
da diferença entre o que se paga de impostos (IR na fonte e embutidos
em todas as mercadorias e nos serviços) e o que se tem como contrapartida
no âmbito da cidadania. Não há, óbvio, sociedade
que funcione sem impostos, mas que o retorno seja sustentável,
perene e à altura da ganância do fisco.
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