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Estado
de Minas, 22 de janeiro de 2011 - Primeiro Caderno
- Seção:
Política
- Pág. 7
Novo
governo
Poderes
para supersecretária A reforma administrativa promovida pelo
governo de Minas Gerais transformou a secretária de Estado do Planejamento e Gestão, Renata
Vilhena, em uma espécie de supersecretária. Caberá a
ela presidir um “conselhão” que terá nas mãos
as rédeas do orçamento do estado com poderes deliberativos
e soberanos. Qualquer gasto adicional ou não previsto nas finanças
terá de passar pela autorização da Câmara
de Coordenação Geral, Planejamento, Gestão e Finanças,
que terá a participação de outros seis secretários.
A nova estrutura do governo foi publicada
ontem em lei delegada no Minas Gerais, para fazer adequações ao plano de governo de Antonio
Augusto Anastasia (PSDB), reeleito em outubro. Nela, está prevista
a Câmara, integrada pelos secretários de Fazenda, Governo,
Casa Civil e de Relações Institucionais, além do
advogado-geral, do controlador-geral e do diretor presidente do Escritório
de Prioridades Estratégicas.
Na prática, a palavra final é de Renata Vilhena. Como
presidente, ela terá o voto de minerva nas decisões, que,
segundo afirma, são soberanas, ou seja, não podem ser vetadas
pelo governador. Ela também pode tomar medidas ad referendum,
que terão de ser referendadas posteriormente pelos demais integrantes.
Tudo o que envolver uma despesa não prevista, como um novo concurso
público, criação de cargos ou benefícios,
como vale-alimentação ou gastos com operações
de emergência, passará pela caneta de Renata. A função,
de acordo com ela própria, cabia antes ao vice-governador.
Conforme a Lei Delegada, a função da nova estrutura é a
de “coordenar e integrar as decisões estratégicas
de governo e deliberar sobre os atos de gestão que envolvam a
ampliação da despesa com a implementação
de políticas públicas, especialmente de recursos humanos,
e com a alteração da estrutura organizacional da administração
estadual”. Ainda conforme a Lei Delegada, “as competências
e o escopo das deliberações da câmara serão
estabelecidos em decreto”.
A exemplo do que fez o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT),
que inflou de poderes a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff
(PT), para prepará-la para ser sua sucessora, as mexidas de Anastasia
reforçam a tese de que a secretária seria um nome para
concorrer ao governo mineiro em 2014, quando o tucano já não
pode se candidatar novamente. Vilhena terá papel semelhante ao
então vice-governador Anastasia, também de perfil técnico
e que se filiou ao PSDB apenas um ano antes de concorrer ao posto do
ex-governador Aécio Neves (PSDB).
Apesar das especulações, Renata Vilhena afirma que seu
papel é apenas administrativo. “Não tenho nenhuma
pretensão política, não sou filiada a nenhum partido.
Sou uma servidora pública de carreira que tem um orgulho grande
de fazer parte deste projeto desde 2003 (primeiro governo de Aécio).
A diferença é que tive a oportunidade de trabalhar com
o governador Anastasia há mais tempo, desde 1988”, disse.
Coincidência ou não, o atual governador também foi
titular da Seplag e, até bem pouco tempo, não tinha relações
políticas.
Gestão ganha redes temáticas
A estrutura prevista na lei delegada também prevê um novo
modelo de gestão, o estado em rede. Sem novos espaços físicos,
foram criados instrumentos para integrar os diversos setores em áreas
temáticas. O texto diz que, por decreto, o governador Anastasia “poderá integrar
os órgãos e entidades da administração pública
estadual em sistemas setoriais, os quais serão agrupados nas áreas
temáticas básicas da função administrativa
e da governança institucional do Poder Executivo; de planejamento,
gestão e finanças; de direitos sociais e de cidadania; e
de desenvolvimento sustentável, segundo o critério da finalidade
prioritária de cada sistema”.
Segundo a
lei delegada, as áreas de atuação do estado
foram divididas em quatro: Apoio ao governo e às relações
institucionais; Planejamento, gestão e finanças; Direitos
sociais e cidadania (atendimento em saúde, educação
e desenvolvimento de capital humano, desenvolvimento social, proteção,
defesa e segurança); e Desenvolvimento Sustentável (infraestrutura,
desenvolvimento rural, desenvolvimento sustentável e de cidades,
tecnologia e inovação e identidade mineira).
Conforme a
secretária de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena,
também são previstos instrumentos para permitir a participação
da sociedade na administração estadual, como fóruns,
comitês temáticos, audiências e consultas públicas.
A lei delegada traz ainda algumas estruturas divididas, com a criação
de subsecretarias, por exemplo a de gestão de pessoas, a de investimentos
estratégicos e de gestão regional. Foi criado o escritório
de prioridades estratégicas. A secretaria que atua no desenvolvimento
dos vales do Jequitinhonha, Mucuri e Norte de Minas se tornou permanente.
REAÇÃO O deputado estadual eleito Rogério Correia
(PT), indicado líder da oposição na Assembleia Legislativa,
afirmou que o partido vai anexar o texto publicado ontem no Minas Gerais à Ação
Direta de Inconstitucionalidade (Adin) impetrada pela legenda no Tribunal
de Justiça contestando a edição de leis delegadas
no estado. O partido argumenta não haver, nas modificações
feitas pelo governador Anastasia em outras leis delegadas publicadas em
janeiro, urgência ou relevância, pré-requisitos necessários,
segundo a legislação, para utilização do dispositivo.
O deputado eleito disse ainda que o partido estuda a possibilidade de entrar
com Adin também no Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar
a Lei Delegada publicada ontem.
Entre as críticas do parlamentar está a criação
do escritório de prioridades estratégicas. “Ele terá funções
paralelas às das secretarias, o governo cria despesas e despreza
a estrutura do estado que já funciona”, alega. Outra crítica é ao
fato de não haver informação sobe os custos das mudanças.
A secretária Renata Vilhena não informou os valores ou números
de cargos criados. Segundo ela, a estrutura das secretarias ainda será publicada
em leis editadas até o dia 31.
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