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Diário
do Comércio, 3
de junho de 2011 - Primeiro Caderno -
Seção:
Legislação&Tributos - Pág.
28
Fim da guerra fiscal favorece Minas
Com
a extinção dos incentivos de ICMS pelo Supremo, o
Estado deverá atrair mais investimentos.
LÍDIA
REZENDE.
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de encerrar a guerra
fiscal deve beneficiar Minas Gerais, aumentando o número de investimentos
atraídos para o Estado. De acordo com o presidente da Federação
das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado
Junior, o nivelamento tributário fará com que as qualidades
de logística, mão de obra e infraestrutura existentes em
Minas se sobressaiam. "Certamente, os investimentos privados serão
destinados às localidades com mais preparo para recebê-los,
e este é o caso do Estado", argumenta.
O fim da prática de concessão de isenções
ou reduções de alíquotas do Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) pelos
governos estaduais a empresas, determinado nesta semana pela Corte, tem
como objetivo equiparar as condições fiscais oferecidas
pelas unidades da Federação.
O STF julgou, na última quarta-feira, 14 ações
diretas de inconstitucionalidade (ADIs) contra leis estaduais que concediam
incentivos fiscais referentes ao ICMS a companhias e setores não
contemplados em convênios interestaduais. As ações
se referem ao Distrito Federal e aos estados do Paraná, Pará,
Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, São Paulo e Rio de
Janeiro.
Disputa - Os dois últimos, conforme já havia afirmado a
secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Dorothea
Werneck, são os principais concorrentes de Minas Gerais. A disputa
travada com o Rio de Janeiro seria ainda mais desleal porque, segundo
a secretária, o Estado conseguia oferecer benefícios maiores
em função da alta arrecadação obtida por
meio dos royalties do petróleo.
A Secretaria de Estado de Fazenda(SEF)
informou, por meio da assessoria de imprensa, que o Executivo estadual
apoia a decisão do Supremo
e que, mesmo antes do julgamento, já adotava a política
de não participar da guerra fiscal. Na opinião do secretário
de Estado de Fazenda, Leonardo Colombini, a medida reforça a necessidade
da realização de uma reforma tributária pelo Congresso
Nacional.
Gargalo - O vice-presidente da Associação Brasileira de
Direito Tributário (Abradt), Janir Adir Moreira, ressaltou que
o principal gargalo é a existência de 27 legislações
diferentes para o ICMS. "Isso provoca um aviltamento tributário
e acaba incentivando o empresariado a deslocar o foco dos seus negócios
em função dos benefícios, quando a decisão
de investir deveria estar voltada para outros tipos de condições.
A solução definitiva é a reforma tributária",
enfatizou.
Conforme Dorothea Werneck já havia revelado ao DIÁRIO
DO COMÉRCIO, o Executivo estadual está preparado para atrair
investimentos pós-guerra fiscal. Segundo ela, uma equipe composta
por integrantes das secretarias de Desenvolvimento e da Fazenda e do
Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi) tem o objetivo
de definir estratégias para serem apresentada aos potenciais investidores,
destacando os principais atributos do Estado, principalmente logísticos.
Além disso, segundo a secretária, a política implementada
pela SEF tem permitido a concessão de reduções de
alíquotas sem acarretar perdas tributárias aos cofres públicos
estaduais.
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