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Diário
do Comércio, 29
de fevereiro de 2011 - Primeiro Caderno - Seção:
Legislação - Pág.
26
Correção
do IR abatida em 2012
Com
reajuste de 4,5% da tabela, União deixará de arrecadar
R$ 9,372 bilhões até 2014.
Brasília - O Imposto de Renda retido a mais nos três primeiros
meses do ano será devolvido aos contribuintes em 2012, disse ontem
o subsecretário de Tributação da Receita Federal,
Sandro Serpa. Segundo ele, os valores descontados a mais antes da correção
da tabela em 4,5% serão compensados na declaração
de ajuste de 2011, que só será entregue no ano que vem.
De acordo com ele, o ajuste será automático e o contribuinte
não precisará tomar providências para reaver o dinheiro. "O
que foi retido a mais em janeiro, fevereiro e março será compensado.
A conta fechará e ninguém precisará tomar providência."
O governo deixará de arrecadar R$ 9,372 bilhões por causa
da correção. Segundo Serpa, o impacto fiscal será de
R$ 1,612 bilhão em 2011, R$ 2,36 bilhões em 2012, R$ 2,58
bilhões em 2013 e R$ 2,82 bilhões em 2014. A renúncia
em 2012, afirmou, incorporará a devolução do imposto
retido a mais em 2011.
O subsecretário disse ainda que o percentual de 4,5% de correção
pelos próximos três anos seguirá o centro da meta
de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário
Nacional (CMN). Apesar de as metas para 2013 e 2014 ainda não
terem sido fixadas, ele negou que a correção da tabela
sirva de indicativo para a meta a ser definida pelo governo.
Serpa afirmou que a definição do centro da meta de inflação
para corrigir o Imposto de Renda foi fruto das negociações
entre o governo e as centrais sindicais. "Veremos o comportamento
da economia nos próximos quatro anos. A inflação
pode ficar acima ou abaixo da meta e, daqui até lá, os
cálculos poderão ser refeitos, mas as novas metas de inflação
estão fora da alçada da Receita."
Medida provisória publicada ontem no "Diário Oficial
da União" corrigiu as tabelas do Imposto de Renda em 4,5%
ao ano de 2011 a 2014. A faixa de isenção passou para R$
1.566,61 em 2011, R$ 1.637,11 em 2012, R$ 1.710,78 em 2013 e R$ 1.787,77
em 2014. A medida também reajustou, no mesmo percentual, a isenção
para aposentadoria e pensão de pessoas acima de 65 anos e os limites
de dedução com dependentes, educação e o
desconto simplificado.
Como a correção do Imposto de Renda só valerá a
partir de abril, o imposto retido de janeiro a março seguiu a
tabela antiga, cujo limite de isenção era de R$ 1.499,15.
Segundo a Receita Federal, a devolução do imposto pago
a mais ainda neste ano seria impossível porque as empresas não
teriam como refazer as declarações de Imposto de Renda
Retido na Fonte.
Declarações - Mais de 1 milhão de contribuintes
já entregaram as declarações à Receita. A
expectativa do órgão é que, até o final do
prazo (29 de abril), 24 milhões de contribuintes prestem contas
ao órgão.
A multa mínima para quem perder o prazo é de R$ 165,74
e máxima de 20% do imposto devido. obrigado a declarar
que recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 22.487,25 em 2010.
Além disso, também é obrigado a declarar quem teve
rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente
na fonte acima de R$ 40 mil. Estão nesta categoria lucros e dividendos,
poupança, aplicações financeiras, 13º salário,
prêmios e juros pagos ou creditados de capital próprio,
entre outras situações.
Ao fazer a declaração, os contribuintes têm a possibilidade
de reduzir a carga fiscal. E isso pode ser feito de forma legal, sem
risco de a declaração ser retida na malha fina. Usando
as brechas dadas pela Receita, os contribuintes terão restituição
maior ou pagarão menos após a entrega da declaração.
Essas possibilidades são mais comuns no caso de contribuintes
casados e nos casos em que os filhos também trabalham. (ABr e
FP)
IOF
de cartão compensará perdas
Brasília - O aumento de 2,38% para 6,38% na alíquota de
Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para compras
no exterior com cartão de crédito também tem viés
arrecadatório, admitiu ontem o subsecretário de tributação
e contencioso da Receita, Sandro Serpa. Segundo ele, o aumento previsto
de R$ 802 milhões na arrecadação do tributo em 2011
servirá para compensar metade da renúncia fiscal decorrente
da correção em 4,5% da tabela do Imposto de Renda de Pessoa
Física.
"Toda perda de tributo deve ser compensada pelo aumento da arrecadação
em outros tributos, de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal",
afirmou Serpa. " uma medida que vem sendo estudada há muito
tempo pelo governo e o momento foi oportuno para isso. Mas não é só arrecadação,
também tem outros benefícios", acrescentou.
Segundo Serpa, o aumento das compras no exterior tem
impactado o balanço
de pagamentos brasileiro e a medida também teria o objetivo de
combater a apreciação cambial. "A medida decorre de
preocupação da Fazenda com o cenário econômico
e está dentro do escopo das medidas tomadas pelo governo. Não é a única
medida e não é a solução para o problema,
outras medidas cambiais serão tomadas", completou.
Além disso, o governo estaria preocupado com uma situação
de eventual insolvência dos consumidores decorrente do aumento
das compras internacionais. "Não está havendo insolvência,
mas pode vir a acontecer. Essa é uma medida preventiva na linha
de tentarmos evitar esse quadro", concluiu.
O subsecretário da Receita Federal explicou que alta do IOF para
operações com cartão de crédito feitas no
exterior começa a valer daqui a 30 dias. Mas ele esclareceu que
a cobrança do IOF incide nas remessas de dólares feitas
pelas administradoras de cartão de crédito.
Portanto, nada impede que as empresas de administração
de cartão de crédito passem a embutir desde ontem o custo
do IOF mais alto.
"O decreto que aumenta o IOF ordena a relação entre
o contribuinte pessoa física e a operadora. uma regra de
mercado, depende da lei de mercado", explicou. Por isso, a chefe
da divisão de imposto sobre o mercado financeiro da Receita Federal,
Maria Consolação, recomendou que os contribuintes prestem
atenção a partir de agora nos custos que as operadoras
passarão a cobrar com a edição ontem do decreto.
Ato falho - O subsecretário da Receita Federal acabou cometendo
um ato falho e confirmou que o governo estuda elevação
do OF para empréstimos externos. Ao final da entrevista, questionado
sobre um possível aumento do IOF, ele respondeu: "O governo
não comenta medida em elaboração." Confrontado
com o fato de que estava confirmando o estudo, ele fez um gesto afirmativo
com a cabeça. (AE)
Bebidas:
aumento médio de 15%
Brasília - O aumento médio na tributação
das bebidas deve chegar a 15%, de acordo com a Receita Federal. Esse
foi o percentual médio da correção dos preços
de referência utilizados pelo Fisco para tributar cervejas, refrigerantes
e água, segundo decreto publicado ontem no "Diário
Oficial da União". "Não houve aumento de alíquota,
mas dos preços de referência que estavam defasados desde
2008", alegou o subsecretário de Tributação
e Contencioso da Receita, Sandro Serpa, que admitiu, no entanto, que
o impacto médio na tributação deve ter a mesma proporção.
Segundo ele, a alíquota de Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI) para cervejas continua em 15%, enquanto para refrigerantes se manteve
em 10%. Além disso, as chamadas bebidas frias pagam 9,5% de PIS
e Cofins.
Com o aumento da tributação, que entra em vigor em 4 de
abril, o governo espera um adicional de R$ 948 milhões na arrecadação
de 2011. Com isso, somadas as receitas decorrentes do aumento do Imposto
sobre Operações Financeiras (IOF) para compras internacionais
com o cartão de crédito, a renúncia fiscal resultante
da correção em 4,5% da tabela do Imposto de Renda da Pessoa
Física (IRPF) será completamente compensada.
Serpa explicou que a tributação de bebidas era feita por
meio de alíquotas fixas por litro do produto até 2008,
mas essa metodologia onerava em maior peso os produtos mais baratos.
Por isso, desde o fim daquele ano foi estabelecida uma tributação
de acordo com os preços de cada categoria de produto no mercado,
variando conforme a marca e a embalagem. A atualização
da tabela corrigiu os valores tomados entre julho e setembro de 2008
pelos praticados no varejo entre julho e setembro do ano passado, segundo
pesquisa nacional elaborada pela Fundação Getúlio
Vargas (FGV).
Serpa também admitiu que o aumento na tributação
deve ser repassado para o preço final dos produtos, o que preocupa
o governo em um momento de combate ao crescimento da inflação,
mas considerou que a medida foi tomada no momento correto, uma vez que,
passada a crise, chegou a hora de corrigir a base de tributação
defasada. (AE)
Reforma
fatiada para viabilizar aprovação
de mudanças
Brasília - A presidente Dilma Rousseff anunciou que vai fatiar
a reforma tributária para viabilizar a aprovação
das mudanças a serem propostas pelo governo. Em reunião
do Conselho Político, na semana passada, no Palácio do
Planalto, ela admitiu a dificuldade para aprovar a reforma em um único
texto. A intenção do Executivo, portanto, é propor
as mudanças em vários projetos, que serão negociados
individualmente.
A
presidente não adiantou, no entanto, quais mudanças
no sistema tributário serão propostas. No discurso de posse
no Congresso, em janeiro, ela afirmou que a prioridade do governo na área
tributária é simplificar, racionalizar e modernizar o sistema.
Ela disse também que é preciso ampliar a base de arrecadação
tributária para desonerar as atividades que promovem o crescimento
econômico, em especial os investimentos e a produção
dos bens de consumo popular.
O
fatiamento da reforma já vinha sendo discutido na Câmara.
Parlamentares da base aliada e de oposição concordam que
será mais fácil discutir e votar as alterações
na legislação tributária por meio de projetos específicos.
Não há consenso, no entanto, sobre que pontos serão
discutidos em primeiro lugar. O PSDB, por exemplo, já apontou
a desoneração da folha de salários como prioridade.
Para o líder do partido, deputado Duarte Nogueira (SP), a medida
aumentará a competitividade das empresas e sua capacidade de absorver
mais mão de obra.
Outra
divergência é sobre as mudanças que serão
necessárias para viabilizar a redução da carga tributária.
O deputado Pedro Eugênio (PT-PE), ex-presidente da Comissão
de Finanças e Tributação, defende a redistribuição
da carga, fazendo quem ganha mais pagar mais. Já Duarte Nogueira
acredita que a eficiência virá por meio da melhoria na qualidade
do gasto público, com corte de despesas que não são
prioritárias.
Já a simplificação do número
de impostos e dos procedimentos tem o apoio da maioria dos parlamentares.
Em
2008, uma comissão especial da Câmara aprovou substitutivo
do deputado Sandro Mabel (PR-GO) a várias propostas sobre reforma
tributária (PECs 233/08 e 31/07, entre outras) em tramitação
na Casa. Entre os principais pontos do texto aprovado, estão a
unificação das 27 leis estaduais do Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) e
a criação do Imposto sobre Valor Adicionado Federal (IVA-F)
- a partir da fusão do Progrma de Integração Social/Programa
de Formação do Patrimônio do Servidor Público
(PIS/Pasep), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade
Social (Cofins) e da contribuição do salário-educação.
Outros
pontos importantes do texto pronto para votação
na Câmara são a desoneração de alimentos,
produtos de higiene, limpeza e de consumo popular com o excedente de
arrecadação e a incorporação da Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) ao Imposto de Renda da Pessoa
Jurídica (IRPJ). Com informações da Agência
Câmara. (ABr)
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