Diário
do Comércio, 26
de janeiro de 2011 - Primeiro Caderno -
Seção:
Legislação&Tributos - Pág.
25
Arrecadação
do Estado subiu 20,4% ano passado
Valor
recorde de R$ 32,168 bilhões.
LEONARDO FRANCIA.
A arrecadação do Estado no ano passado alcançou
valor recorde, somando R$ 32,168 bilhões, 20,4% a mais que o toal
de 2009, quando registrou R$ 26,705 bilhões. Em relação
ao recolhimento de tributos e contribuições em 2008 (R$
27,045 bilhões), quando havia sido registrado o maior volume da
série histórica, a alta foi de 18,9%. Os dados foram divulgados
ontem pela Secretaria de Estado da Fazenda (SEF).
Somente em dezembro do ano passado, a arrecadação estadual
somou R$ 2,614 bilhões contra R$ 2,533 bilhões no mês
anterior, elevação de 3,1%. Em relação ao
montante recolhido no mesmo mês de 2009 (R$ 2,302 bilhões),
o acréscimo foi de 13,5%. E, frente ao recolhimento de idêntico
período de 2008 (R$ 2,025 bilhões), houve crescimento de
29%.
De acordo com as informações da SEF, somente com a receita
tributária os cofres públicos do Estado receberam R$ 29,954
bilhões no ano passado, contra R$ 25,284 bilhões um exercício
antes, crescimento de 18,4%. Na comparação com as divisas
de 2008 (R$ 25,313 bilhões), o avanço foi de 18,3%.
Dentro da receita tributária, o recolhimento do Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Prestação de
Serviços (ICMS) no Estado rendeu R$ 26,271 bilhões aos
cofres públicos em 2010, contra R$ 21,964 bilhões em 2009,
alta de 19,6%. Frente ao montante recolhido em 2008 (R$ 22,377 bilhões),
a elevação foi de 17,4%.
Do total da receita gerada pelo recolhimento do ICMS
no ano passado, o parque industrial respondeu por mais da metade do
total (52,7%), com
R$ 13,902 bilhões, 22,8% a mais que em 2009 (R$ 11,314 bilhões)
e 11,3% acima do montante apurado em 2008 (R$ 12,484 bilhões).
O setor de serviços, com 25,6% do montante referente ao pagamento
do ICMS em 2010, somou arrecadação de R$ 6,768 bilhões,
ante R$ 5,837 bilhões um ano antes, crescimento de 15,9%. No confronto
com as receita arrecadada pelo segmento em 2008 (R$ 5,900 bilhões),
o avanço foi de 14,7%.
O comércio, por sua vez, gerou divisas da ordem de R$ 5,595 bilhões
com o pagamento do ICMS, 21,2% do valor global no Estado em 2010. Em
relação aos montantes registrados em 2009 (R$ 4,570 bilhões)
e em 2008 (R$ 4,424 bilhões), foram apuradas elevações
de 22,4% e 26,4%, respectivamente.
Agronegócio - Por último, o agronegócio mineiro
recolheu R$ 112,135 milhões em ICMS, o que correspondeu a apenas
0,4% das divisas geradas pelo pagamento do imposto no ano passado e a
altas de 33,7% em relação a 2009 (R$ 83,840 milhões)
e a um acréscimo de 59,1% frente 2008 (R$ 70,445 milhões).
Já as divisas geradas pelo pagamento do Imposto sobre a Propriedade
de Veículos Automotores (IPVA) passaram de R$ 2,062 bilhões
em 2009 para R$ 2,263 bilhões em 2010, elevação
de 9,7%. Em direção idêntica, na comparação
com o recolhimento do imposto em 2008 (R$ 1,813 bilhão) a expansão
foi de 24,8%.
O recebimento de débitos referentes à divida ativa do
Estado totalizou R$ 664,593 milhões em 2010, 321,4% a mais que
no ano anterior (R$ 157,694 milhões). No confronto com os valores
apurados em 2008 (R$ 632,731 milhões), houve acréscimo
de 5%, ainda conforme os dados divulgados pela SEF.
Guerra fiscal: governo se prepara para negociar
Brasília - Ciente de que não conseguirá fazer uma
reforma tributária completa, o governo está se preparando
para negociar acordos com os estados e fazer ajustes pontuais na legislação
que minimizem os efeitos da guerra fiscal no país. Segundo assessores
da presidente Dilma Rousseff, a ideia é trabalhar em duas frentes:
uma para tentar reduzir mais diretamente a carga de impostos de setores
importantes para o crescimento da economia - como energia e transporte
- e outra para acabar com incentivos desleais concedidos por governos
estaduais para atrair novos negócios. "Se conseguirmos avançar
de fato nessas áreas ao fim de quatro anos, já ficaremos
satisfeitos", disse um técnico.
A primeira iniciativa é levar ao Conselho Nacional de Política
Fazendária (Confaz) - que reúne os secretários de
Fazenda de todos os estados - uma proposta de redução conjunta
do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação
de Serviços (ICMS) para produtos e serviços específicos.
Para evitar uma perda de receita grande, essa redução poderia
ser fixada de acordo com um cronograma pelo qual as alíquotas
cairiam ao longo do tempo, e não de uma vez. A União também
poderia dar alguma contrapartida sobre os mesmos produtos e serviços,
mas esta ainda não está definida.
Entre os setores que serão alvos dessa negociação
estão energia e transporte, nos quais o ICMS tem grande peso.
Mas uma primeira iniciativa já foi dada no Plano Nacional de Banda
Larga, que oferecerá acesso à internet de alta velocidade
para a população a preços mais acessíveis.
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, já propôs
ao Confaz que os estados reduzam o imposto para esse serviço,
que hoje pode chegar a 25%.
Segundo o coordenador do Confaz e secretário de Fazenda da Bahia,
Carlos Martins, os estados poderiam concordar com a medida desde que
houvesse um compromisso das operadoras de repassar o benefício
aos preços cobrados dos consumidores. "A redução
do ICMS tem de se transformar numa redução de preços",
afirmou.
Já a guerra fiscal será atacada por etapas, sendo que
a mais urgente, na avaliação dos técnicos, é a
concessão de incentivos para atrair investimentos e negócios
de empresas, especialmente exportadoras. Hoje, uma empresa pode comprar
matéria-prima fora de seu Estado de origem. Quando isso ocorre,
ela paga a alíquota do ICMS interestadual (que é de 7%
no Sul e no Sudeste, com exceção do Espírito Santo,
e de 12% nos demais).
Uma empresa pode decidir, por exemplo, comprar matérias-primas
num Estado em que a alíquota interestadual é de 12%. Se
ela for sediada num lugar em que a alíquota do ICMS é de
18%, a tributação será a seguinte: a empresa vai
recolher 12% e, em sua origem, só terá de pagar a diferença:
6%.
Ressarcimento - A partir daí, o problema se agrava. As empresas
podem pedir ressarcimento sobre o ICMS pago. Mas os estados reclamam
de ter de devolver créditos de tributos que foram recolhidos em
outra unidade da Federação. Além disso, há o
problema de incentivos adicionais que são concedidos às
empresas. Muitos empresários não chegam a pagar efetivamente
o ICMS na compra de matérias-primas.
Alguns governos, como os de Santa Catarina e Espírito Santo,
ainda atraem as empresas de outros estados com redução
do ICMS para que sua infraestrutura portuária seja utilizada.
Mesmo assim, os empresários pedem em seus estados o ressarcimento
do tributo. Nesse caso, ninguém quer ressarcir o que o empresário
não pagou de fato.
Nessa linha, o governo quer fazer andar um projeto do
senador Romero Jucá (PMDB-RR) que tramita no Congresso e que acaba com esses
incentivos adicionais. A proposta reduz a zero a alíquota do ICMS
nas operações interestaduais com mercadorias importadas,
fazendo com que os empresários recolham o tributo no Estado em
que estão sediadas. Portanto, se aprovado, o projeto inviabiliza
os benefícios capixaba e catarinense.
Também estuda-se a retomada da antiga proposta de criação
de um fundo de compensações para os estados na hora de
fazer o ressarcimento aos empresários. Ele seria criado para compensar
as perdas que os estados terão com a implantação
de uma nova regra para o ICMS. Uma parte dos recursos viria de um fundo
constitucional. A outra parte teria de ser definida em legislação
complementar. (AG) |