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Diário
do Comércio, 20 de junho de 2011 - Primeiro Caderno - Seção:
Política - Pág.
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Fazenda avalia viabilidade de mudar
a LRF
Reivindicação
de adoção de novo indexador para dívidas dos estados
exige ajustes nos contratos.
Brasília - O Ministério da Fazenda ainda avalia de que
forma será possível, ou até mesmo se será possível,
alterar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para atender a pleito
dos governadores, que querem mudar o indexador da dívida dos estados
e municípios negociada na década de 1990.
Segundo o secretário executivo do Ministério da Fazenda,
Nelson Barbosa, foram solicitados pareceres jurídicos para que
o governo tenha uma definição mais clara de como fazer
a alteração, já que existem opiniões diferentes
sobre o assunto. O segundo ponto é que, mesmo se houver alteração
na lei, os recursos provenientes do ajuste nos contratos sejam, obrigatoriamente,
convertidos em investimento.
Na última quarta-feira, governadores dos estados do Norte e do
Nordeste entregaram à presidenta Dilma Rousseff um documento com
dez propostas para o desenvolvimento das duas regiões. Entre os
itens estavam mudanças no regime do Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) e
alterações nos contratos que limitem a elevação
da dívida dos estados.
"Alguns estados argumentam que bastaria uma alteração
no contrato e não necessariamente se precisaria mudar a Lei de
Responsabilidade Fiscal. A posição tradicional do Ministério
da Fazenda, do Tesouro Nacional, quando analisou isso no passado, é que,
para qualquer mudança, precisaria mudar, sim, a LRF", disse
Nelson Barbosa.
O secretário advertiu que, enquanto não existir uma definição
clara, a posição do Ministério da Fazenda continua
sendo a de impossibilidade de alteração na Lei de Responsabilidade
Fiscal e de modificação nos contratos da União com
os estados e os municípios. "Daí a preocupação
do ministro (Guido Mantega, da Fazenda) de que, se nós formos
fazer isso, que fique claro que nós vamos mudar somente um ponto
da LRF", observou.
Como a alteração, caso seja permitida, elevará os
recursos disponíveis para os estados e municípios, existe
a ideia do governo de "canalizá-los para investimentos".
Para o secretário, esse é um ponto importante, além
das alterações que vem sendo discutidas, como a redução
do ICMS interestadual, cobrado na origem e no destino das mercadorias. "Que
se canalizem para investimentos esses recursos que serão disponibilizados.
Que isso faça parte do acordo, além, é claro, da
redução do ICMS , para garantir que a receita extra e a
redução nos juros contribuam para o aumento dos investimentos",
ressaltou.
Incentivos - Do ponto de vista do secretário executivo, também
não se justifica o temor de alguns governadores de que a redução
do ICMS prejudique o desenvolvimento regional. Segundo Nelson Barbosa,
há várias formas de dar incentivos, e uma delas é por
meio de investimentos públicos.
"Há várias obras de infraestrutura, como, no Nordeste,
a Ferrovia Transnordestina e portos e refinarias, por exemplo",
argumentou. Outra forma, segundo ele, são as políticas
de desenvolvimento social, com transferência de renda, como o Programa
Minha Casa, Minha Vida, que, por atender as populações
de mais baixa renda, acabam também atendendo os estados mais carentes
e promovendo o desenvolvimento regional.
Barbosa lembrou que já existe uma política diferenciada
de tributação, com impostos federais, para as regiões
que necessitam de mais incentivos para o desenvolvimento. Ele citou,
como exemplo de regime diferenciado, a Zona Franca de Manaus. Existem
incentivos também para as regiões Nordeste e Centro-Oeste.
"Existem diferenças, nuances entre cada regime. Mas o que
já sinalizamos e colocamos com os estados é usar os tributos
federais como forma de promover o desenvolvimento regional, de modo a
diminuir os tributos estaduais", afirmou. Seria uma forma de reduzir
a guerra fiscal, resumiu o secretário.
Ele
destacou que, quando um estado dá incentivos regionais, alimenta,
mesmo pensando no seu próprio estado, esse tipo de prática. "Quando
se toma isso como um todo no Brasil, acaba-se gerando um jogo de soma
negativa. Um estado adota um incentivo, outro, em retaliação,
adota outro incentivo, mas, no final, os dois acabam arrecadando menos.
Esse ganho vai para a empresa privada, mas não é repassada
para o preço. É preciso repensar isso", concluiu o secretário.
(ABr)
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