Diário
do Comércio, 20
de janeiro de 2011 - Primeiro Caderno -
Seção:
Legislação&Tributos - Pág.
26
Correção
da tabela do Imposto de Renda
DOMINGOS ORESTES CHIOMENTO *.
A decisão do governo federal de não atualizar a tabela
de alíquotas do Imposto de Renda Pessoa Física, neste ano,
sinaliza um desrespeito ao contribuinte, que mensalmente faz o seu recolhimento
de impostos aos cofres públicos, muitos deles, sendo descontados
na fonte. É interessante mencionar ainda que, desde 2007 a tabela
do IRPF vem sendo corrigida com base na meta da inflação,
fixada em 4,5%. Contudo, a inflação, durante este período,
tem apresentado variações bem acima deste índice:
em 2007, empurrada pelo preço dos alimentos, ficou em 4,46%; em
2008, a inflação ficou em 5,90%; já em 2009 o índice
foi de 4,31%. Em 2010, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor
(IPCA) teve a maior alta desde 2004, acumulando inflação
de 5,91%.
Além da correção da tabela não acompanhar
a inflação nominal no período, em 2011 o governo
federal decidiu não aplicar sequer o índice de 4,5% sobre
os valores a serem arrecadados. Se houvesse a correção,
a Faixa 1, responsável pelo valor do salário para quem é isento,
por exemplo, subiria para R$ 1.566,61. Já na Faixa 2, teríamos
o valor de R$ 1.566,62 a R$ 2.347,85, com alíquota de 7,5%. Na
Faixa 3 seria entre R$ 2.347,86 a R$ 3.130,50, com alíquota de
15%. Na Faixa 4, a base de cálculo mensal seria de R$ 3.130,51
a R$ 3.911,63, alíquota de 22,5%. E, na Faixa 5, seria acima de
R$ 3.911,63, com alíquota de 27,5%.
Porém, como a correção não foi feita, a
Receita Federal do Brasil continua utilizando a mesma tabela do ano passado
para calcular o desconto do tributo nos salários e benefícios.
Isso quer dizer que os contribuintes serão, neste ano, descontados
bem acima da média da reposição salarial. Sem dúvida,
quem mais perde com essa medida é o assalariado, uma vez que o
Imposto de Renda tem um peso maior para aqueles com menor renda. Quanto
maior o rendimento do contribuinte, menor é a perda com a falta
de atualização da tabela.
Antes de tudo, a tabela corrigida não é um benefício,
como o governo vinha apresentando à população. A
correção da tabela do Imposto de Renda é um direito
do contribuinte, afinal de contas todos ganham com a medida: desde o
trabalhador que ficará na condição de isento, até aquele
que tem uma renda maior e paga o maior percentual. A injustiça
da não-correção da tabela torna-se ainda mais gritante
ao considerarmos a quantidade de impostos que são pagos e que
não se revertem em benefícios para o país. Além
disso, a correção anual da tabela garante maior justiça
tributária. Ao desprezar essa medida, o governo brasileiro expõe
os contribuintes a uma sobretaxa, provocando alta na arrecadação.
Como se não bastasse, a não correção da tabela
afetará no consumo, e conseqüentemente a geração
de emprego.
Diante dos fatos, não restam dúvidas que o IR ficará bem
mais pesado no bolso do brasileiro em 2011. Mas engana-se quem pensa
que somente os trabalhadores serão prejudicados. A medida causará danos
também ao bolso dos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS). Com o reajuste do salário mínimo,
corrigido em 5,88%, e do benefício, que teve correção
de 6,41%, eles passarão a ter descontos maiores ou deixarão
de ser isentos, passando a acertar as contas com o Leão.
No ano-calendário de 2011, o imposto sobre a renda a ser descontado
na fonte sobre os rendimentos do trabalho assalariado, inclusive o 13º salário,
pagos por pessoas físicas ou jurídicas, bem como sobre
os demais rendimentos recebidos por pessoas físicas que não
estejam sujeitos à tributação exclusiva na fonte
ou definitiva, pagos por pessoas jurídicas, será calculado
mediante a seguinte parcela de cálculo: na Faixa 1, a base de
cálculo é de R$ 1.499,15. Já na Faixa 2, de R$ 1.499,16
até R$ 2.246,75, com alíquota de 7,5. A Faixa 3 é de
R$ 2.246,76 até R$ 2.995,70, com alíquota de 15%. Na faixa
4, a parcela de cálculo está entre R$ 2.995,71 até R$
3.743,19, alíquota de 22,5%. E na Faixa 5, acima de R$ 3.743,19,
a alíquota é de 27,5%.
Vale lembrar que entre os anos de 2007 e 2010 as faixas
de renda da tabela foram corrigidas em 4,5% ao ano, devido a um acordo
firmado entre
o governo e as centrais sindicais, em 2006. Contudo, a legislação
que estipulou os valores não prevê nenhum reajuste a partir
de 2011 e o surpreendente é que as autoridades tributárias
não tomamam nenhuma providência efetiva para ficar um novo índice,
caracterizando um total desrespeito com a população produtiva
do país.
De acordo com estudos do Sindicato dos Auditores Fiscais
da Receita Federal do Brasil (Sindifisco Nacional), se o governo fosse
compensar
toda a inflação acumulada entre os anos de 1995 e 2011
- porque a tabela está defasada desde 1995 - o reajuste deveria
ser de 71,5%. Essa defasagem leva o contribuinte a pagar até 800%
a mais de imposto.
*
Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São
Paulo (CRC-SP)
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