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Diário
do Comércio, 18 de outubro de 2011
- Primeiro Caderno - Seção:
Economia - Pág.
21
Sobe
arrecadação de ICMS
em Minas
Dos
quatro maiores recolhedores do imposto no Estado, em apenas um houve
retração em setembro.
LEONARDO FRANCIA.
A arrecadação do Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) nos
quatro municípios mineiros com maior receita gerada pelo recolhimento
do imposto cresceu na comparação com os montantes registrados
em setembro ante mesmo mês do ano passado. A exceção
foi Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), onde
os cofres recolheram 15,7% a menos.
A queda na arrecadação de Betim, conforme já explicou
o secretário adjunto da Fazenda, Luiz Fernando Pereira Mendes,
está ligada à Lei do ICMS Solidário, que impôs
ao município uma perda de arrecadação do imposto
da ordem de R$ 39 milhões somente neste ano.
Em Betim, o recolhimento do ICMS somou R$ 309,1 milhões em setembro,
contra R$ 366,4 milhões no mesmo mês de 2010. Por outro
lado, nos nove primeiros meses deste ano, a arrecadação
totalizou R$ 3,084 bilhões, 8,2% mais que os R$ 2,850 bilhões
apurados em iguais meses do exercício passado.
Os dados da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) mostram
que o resultado mensal da Capital foi o melhor entre as cidades mineiras
com maior arrecadação
de ICMS. As divisas geradas pelo recolhimento do imposto em Belo Horizonte
durante setembro somaram R$ 615,1 milhões, 8,6% a mais que em
igual mês um ano antes, quando foram arrecadados R$ 566,3 milhões.
No acumulado do ano até setembro, os cofres públicos da
Capital registraram um ganho de 0,8% com a receita gerada com o recolhimento
de ICMS frente ao mesmo período do exercício passado. Nesta
base de comparação, foram R$ 5,214 bilhões sobre
R$ 5,172 bilhões.
Em Contagem, também na RMBH, os cofres públicos receberam
R$ 136,8 milhões em recolhimento de ICMS em setembro, montante
8,1% superior ao de idêntico mês do ano anterior (R$ 126,5
milhões). A arrecadação no acumulado até o
nono mês (R$ 1,173 bilhão) continua maior do que a do mesmo
período de 2010 (R$ 1,013 bilhão), com elevação
de 15,8%.
Uberlândia - Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, a
receita gerada pelo recolhimento do ICMS chegou a R$ 141 milhões
em setembro, alta de 14,3% em relação ao montante recolhido
em igual mês de 2010 (R$ 123,3 milhões). Na comparação
com a arrecadação de janeiro a setembro (R$ 1,151 bilhão)
contra idêntico intervalo do ano passado (R$ 1,059 milhões),
houve aumento de 8,7%.
Em Minas Gerais, conforme os últimos dados da SEF, a indústria
e o setor de serviços puxaram a queda de 13,5% no recolhimento
de ICMS em agosto (R$ 2,453 bilhões) frente aos R$ 2,835 bilhões
arrecadados no mesmo mês de 2010. Porém, na comparação
com o recolhimento do imposto em julho (R$ 2,406 bilhões) foi
apurada alta de 1,9%.
Nos oito primeiros meses deste ano, a arrecadação do ICMS
no Estado já acumula R$ 18,473 bilhões, um crescimento
de 7,3% em relação à receita com o imposto no mesmo
período de 2010 (R$ 17,215 bilhões). A arrecadação
do ICMS respondeu por 79,2% do recolhimento total do período.
Concessão
de incentivos fiscais saltou 529%
Brasília - O governo vai injetar R$ 146 bilhões em vários
setores da economia no ano que vem, por meio de programas que só o
Executivo pode criar e cujos resultados não são avaliados.
São os chamados incentivos fiscais, ou desonerações
tributárias, medidas pelas quais o governo abre mão de
tributar um ou outro setor.
Os gastos através de renúncias de receitas deram um salto
a partir do governo Luiz Inácio Lula da Silva, segundo aponta
estudo elaborado pelo consultor da Câmara dos Deputados Marcelo
Sobreiro Maciel.
Segundo levantamento feito com base nos dados da Receita
Federal, os incentivos fiscais equivaliam a 11,6% da arrecadação federal
em 2002. Em 2009, ela já estava em 18,9%. Em 2012, a conta se
aproximará dos 20%, conforme os números da Receita. A conta
de incentivos, que era de R$ 23,2 bilhões em 2002, chegará a
R$ 116 bilhões neste ano e a R$ 146 bilhões no ano que
vem. um salto de 529%.
"Os incentivos são cada vez mais usados, mas são
medidas pontuais, sem planejamento de longo prazo e cuja eficácia é questionável,
pois não há avaliação", comentou o consultor. "São
benefícios que fogem do Orçamento, estão cada vez
mais sob controle do Executivo e sobre os quais há pouca exigência
de transparência."
Em seu trabalho, ele afirma que o crescimento dos incentivos
indica "um
renascimento do Estado capitalista brasileiro, no que se refere aos instrumentos
tributários utilizados". Ele embasa a crítica na comparação
entre a forma como são gastos os recursos arrecadados e devolvidos à sociedade
como despesas do Orçamento e os incentivos - dinheiro que deixa
de ser entregue aos cofres públicos. Do ponto de vista das contas
públicas, também é um gasto. Procurado pela reportagem,
o Ministério da Fazenda não se pronunciou.
Menos rigor - O dinheiro que passa pelo Orçamento tem sua destinação
discutida pelo Congresso. Os deputados e senadores têm a prerrogativa
de mudar a destinação de parte desses recursos, por meio
de emendas à lei orçamentária. Depois de gasto,
tudo é auditado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Com as renúncias fiscais, não há esse rigor. Primeiro,
porque não são claros os critérios de favorecimento
de um setor e não de outro. E, na prática, só o
Executivo pode criar desonerações.
A Lei de Responsabilidade Fiscal diz que propostas de
medidas desse tipo devem vir acompanhadas da estimativa de renúncia fiscal.
Mas só quem tem meios de fazer a estimativa é a Receita.
Por isso, os parlamentares não conseguem propor desonerações.
No máximo, pressionam para incluir mais setores nas medidas do
Executivo.
Além disso, as informações são precárias.
A melhor fonte de dados são os relatórios publicados pela
Receita, que não refletem exatamente o que o governo deixou de
recolher. "Eles informam apenas uma estimativa", disse Maciel. "E é uma
estimativa incompleta, porque não contém as renúncias
do Imposto sobre Produtos Industrializados."
As desonerações têm crescido ano a ano, sobretudo
os cortes da Contribuição para o Financiamento da Seguridade
Social (Cofins) e da contribuição ao PIS/Pasep. (AE)
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