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Diário
do Comércio, 18
de maio de 2011 - Primeiro Caderno -
Seção:
Legislação - Pág.
26
MG
se prepara para pós-guerra
fiscal
Equipe
com integrantes de secretarias montam estratégia
para apresentar a potenciais investidores.
LÍDIA
REZENDE.
A
secretária de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais,
Dorothea Werneck, disse ontem que a disputa travada entre os estados
com o objetivo de atrair os maiores investimentos por meio de benefícios
tributários está próxima do fim. Ela afirmou que
uma equipe composta por integrantes das secretarias de Desenvolvimento,
da Fazenda e do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais
(Indi) já está preparando uma estratégia pós-guerra
fiscal para ser apresentada aos potenciais investidores.
"A partir do momento em que São Paulo entra na guerra, ela
acaba, e São Paulo entrou. Há um momento em que se chega
ao limite. Não sei quando a questão deve ser encerrada,
mas há uma movimentação muito grande neste sentido.
Tem havido discussões no Senado, que tem competência para
regulamentar alguns aspectos referentes a alíquotas e também
no Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), onde
o secretário estadual de Fazenda de Minas Gerais, Leonardo Colombini,
tem participado ativamente", afirmou.
Na avaliação da secretária, há uma competição
desleal entre Minas e o Estado vizinho do Rio de Janeiro. "O Rio
tem os royalties do petróleo, então não precisa
do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação
de Serviços) e oferece os melhores incentivos. Para nós, é mais
complicado. A gente não entra na guerra, mas se defende. Existe
uma lei estadual que permite que façamos concessões desde
que algum outro Estado o faça por lei própria, o que nos
dá a possibilidade de defesa", argumentou.
A estratégia que está sendo trabalhada pelo governo mineiro,
segundo Dorothea Werneck, consiste, em um primeiro momento, em apresentar
os atributos do Estado aos potenciais investidores. "A localização
geográfica é um grande fator, levando em consideração
que o país está crescendo mais nas regiões Norte,
Nordeste e Centro-Oeste e este desenvolvimento passa, necessariamente,
por Minas Gerais", ressaltou.
Extensão - Ela revelou ainda que a política implementada
pela Secretaria de Estado da Fazenda tem permitido a concessão
de reduções de alíquotas sem acarretar perdas tributárias
aos cofres públicos estaduais. A secretária explicou que,
obrigatoriamente, toda redução de alíquota de ICMS
concedida pelo Executivo mineiro a uma nova empresa que chega ao Estado é estendida
a companhias que já atuam em Minas.
"No caso de uma nova confecção, por exemplo, que
irá se instalar aqui e receberá benefícios, o incentivo
também é dado às outras confecções
do Estado. Se for uma fabricante de mercadorias que ainda não
são produzidos aqui, não há renúncia fiscal
porque ainda não existiam empresas do setor, o que permite uma
maior flexibilidade na redução do ICMS. Desta forma, o
Estado, os investimentos e a arrecadação crescem e não
enfrentamos problemas com relação à concessão
de incentivos", explicou a secretária.
Segundo o governador Antonio Anastasia, Minas Gerais
possui ainda outro mecanismo alternativo à redução do ICMS, como os
fundos estaduais geridos pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais
(BDMG). Apesar disso, ele também defende a criação
de uma alíquota única e nacional para o ICMS.
"Uma legislação mais inteligente, nacional, pode
facilitar, já que se trata do único grande tributo estadual.
Mas devem existir critérios que evitem uma diminuição
das receitas e também o canibalismo entre os estados, que não é positivo.
Vamos aguardar a proposta do governo federal e como o Congresso vai encarar
essa modificação. A guerra fiscal predatória, que
já aconteceu no passado, com a redução drástica
de tributos, prejudica aqueles estados que a fazem e os outros que também
são dela vítimas. Esperamos que o governo federal tome
iniciativa de capitanear, e é de competência exclusiva dele,
a reforma tributária no Brasil", ressaltou.
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