Diário
do Comércio, 18
de fevereiro de 2011 - Primeiro Caderno -
Seção:
Legislação - Pág.
25
Tabela deve ser mesmo corrigida em apenas 4,5%
Planalto
não quer negociar índice.
Brasília - Perto de ser encerrada a novela do salário
mínimo, o próximo passo da presidente Dilma Rousseff é corrigir
a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). A tendência é que
ela seja reajustada em 4,5%, correspondente à meta de inflação
para este ano.
"Eu posso afirmar que, quando a presidente sancionar a lei do salário
mínimo, será editada uma medida provisória com a
correção da tabela do Imposto de Renda, muito provavelmente
tendo o centro da meta da inflação", disse o líder
do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). No Palácio
do Planalto, a orientação que circula nos bastidores é não
negociar esse índice. O problema é que as centrais querem
correção de 6,47%, correspondente à inflação
de 2010 medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor
(INPC), o mesmo que corrigiu o salário mínimo e as aposentadorias.
Além disso, o governo está inclinado a tratar do reajuste
apenas para 2011. Não se cogita fixar uma regra até 2015,
como sugeriram os sindicalistas, para manter uma simetria com a política
de valorização do salário mínimo. A ideia é calibrar,
a cada ano, a renúncia de receita que poderá ser feita
em benefício dos contribuintes. Em 2011, por exemplo, a perda
de arrecadação decorrente da correção da
tabela será da ordem de R$ 2,2 bilhões.
Apesar da posição fechada em 4,5%, o Planalto vem acenando
com um diálogo com as centrais sindicais. Na última terça-feira,
o ministro-chefe da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, disse ao deputado
Paulinho da Força (PDT-SP), presidente da Força Sindical,
que queria conversar sobre a tabela do IRPF. "Eu disse a ele que
só teria reunião se houver margem para negociação",
afirmou o sindicalista. "Se não, é melhor o governo
divulgar sua proposta e pronto."
Ao presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur
Henrique da Silva Santos, Carvalho prometeu que marcará uma reunião
o mais rápido possível. A negociação em torno
da tabela foi prometida no início deste mês, em encontro
dos sindicalistas com Carvalho e o ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Ficou
o compromisso de retomarmos o processo de negociação sobre
os outros pontos da pauta, que são a correção da
tabela e uma política para as aposentadorias superiores ao mínimo",
disse Santos.
A negociação com as centrais sobre a tabela foi confirmada
anteontem pelo ministro das Relações Institucionais, Luiz
Sérgio. "Superada a fase do salário mínimo,
a predisposição do governo é trabalhar pelo reajuste
da tabela."
A correção da tabela tornou-se uma bandeira importante
para os sindicatos porque a maior parte das categorias conseguiu reajuste
salarial na casa dos 10% no ano passado e parte desse ganho vem sendo
apropriado pelo Leão. Sindicatos ligados à Força
Sindical, por exemplo, entraram na Justiça pela correção.
De 2007 a 2010, a tabela foi corrigida em 4,5% ao ano,
como resultado da negociação com as centrais sindicais que resultou também
na elaboração da fórmula de reajuste do mínimo.
Agora em 2011 a tabela ficou congelada. (AE) |