Diário
do Comércio, 18
de fevereiro de 2011 - Primeiro Caderno -
Seção:
Eonomia - Pág.
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Reajustes
acima da inflação
Para
mercado, risco hidrológico, encargos e a própria
inflação deverão elevar os custos.
O reajuste médio tarifário nas contas de energia elétrica
pode ficar acima da meta inflacionária para este ano, calculada
em 4,5% pelo governo federal. De acordo com especialistas consultados
pela reportagem, o risco hidrológico, os encargos e a própria
inflação devem impulsionar a alta.
De acordo com o professor e coordenador
do Grupo de Estudos de Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), Nivalde de Castro,
o risco hidrológico seria o resultado da característica
do sistema energético brasileiro, de bases hidrelétricas.
"Apesar das tarifas praticadas sofrerem variações
de acordo com cada concessionária, o risco hidrológico
tem influência nos preços estipulados por todas as distribuidoras.
O que acontece é que, quando a ocorrência de chuvas está abaixo
dos padrões, o país precisa acionar as termelétricas
para evitar a possibilidade de apagão. Como a energia térmica é significativamente
mais cara e o custo é repassado a todas as concessionárias,
há impactos no reajuste anual", explicou.
A primeira leva de reajustes tarifários para as grandes concessionárias
do país, entre elas a Companhia Energética de Minas Gerais
(Cemig), está prevista para abril. No entanto, a Agência
Nacional de Energia Elétrica (Aneel), autorizou, já neste
mês, um aumento nas tarifas de até 15% para duas empresas
de menor porte do setor.
A justificativa para o robusto incremento
da tarifa de energia elétrica
seria o efeito climático La Ni¤a, que no ano passado provocou
uma seca recorde nos reservatórios das hidrelétricas brasileiras,
fazendo surgir a necessidade de utilização das usinas térmicas.
A manobra consumiu R$ 1,82 bilhão em 2010 e o montante será repassado
ao consumidor por meio dos reajustes que serão autorizados pela
Aneel.
Transmissão - Já o consultor da Tendência Consultoria,
Walter De Vitto, afirmou que, além do risco hidrológico,
outros fatores contribuirão para a alta. "A própria
inflação acima da média afeta os valores de modo
geral, já que incide sobre o preço da energia e sobre os
serviços de transmissão", ressaltou.
Além disso, ele destacou o aumento no Índice Geral de
Preços do Mercado (IGP-M) e os encargos. "A tarifa que remunera
as distribuidoras é corrigida de acordo com o IGP-M", disse. "Há também
o Encargo de Serviços do Sistema (ESS), que representa o custo
para manter a estabilidade do atendimento ao consumo de energia",
lembrou De Vitto.
No caso da Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis (CCC),
que subsidia a geração dos sistemas isolados, o consultor
explicou que uma recente mudança mercadológica culminou
no expressivo reajuste do encargo. "Todas essas condicionantes apontam
para um cenário de alta maior que o previsto e acima da inflação",
argumentou.
Já o analista Rafael Herzog acredita na possibilidade de que
o reajuste acompanhe o mesmo nível da inflação. " verdade
que a energia térmica é mais cara e impacta nos custos.
No entanto, o sistema brasileiro é composto por 75% de hidrelétricas
e as outras modalidades estão incluídas na fatia dos 25%
restantes, o que demonstra que as termelétricas não têm
tanta representatividade, logo o impacto é menor", avaliou.
"Também há uma enorme quantidade de empreendimentos
que atuarão no segmento em breve com preços mais competitivos,
o que deve inibir uma elevação muito forte", destacou
Herzog.
Neste ano, a Aneel promoverá o terceiro ciclo da revisão
tarifária, o que deve diminuir os preços praticados pelas
concessionárias incluídas no processo. No entanto, a medida
não beneficiará, por enquanto, os consumidores mineiros,
já que o ciclo de revisão previsto para a Cemig acontecerá apenas
em 2015, conforme a assessoria de imprensa da estatal.
De 2001 a 2010, o aumento acumulado das
tarifas de energia chegou a 186%. No mesmo período, o IGP-M apresentou elevação
de 124% e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA), que é o medidor oficial de inflação do governo,
ficou em 86%.
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