Diário
do Comércio, 18
de janeiro de 2011 - Primeiro Caderno -
Seção:
Legislação&Tributos - Pág.
25
Receita exclui 31 mil empresas
Débitos
com o fisco levam a Receita Federal a promover expurgo no Simples
Nacional.
Brasília - A Receita Federal do Brasil excluiu 31 mil empresas
do Simples Nacional por problemas de débitos com o Fisco. Conforme
a Receita, as exclusões ocorreram no dia 1º de janeiro de
2011. Elas estavam num lote de 35 mil empresas consideradas as maiores
devedoras do sistema e que foram notificadas a partir de setembro do
ano passado. Dessas, apenas 4 mil regularizaram a situação. As empresas
notificadas faziam parte de um conjunto de 560 mil devedoras do Fisco.
A Receita prevê novas notificações ainda para esse
primeiro semestre de 2011.
As empresas excluídas ainda podem quitar seus débitos,
que devem ser pagos à vista, e fazer nova opção
pelo Simples Nacional até o dia 31 de janeiro, quando termina
o prazo anual de adesão ao sistema. Como o processo de exclusão
e de opção ocorre no mês de janeiro, a permanência
da empresa no sistema não é interrompida até o final
do período.
Dificuldades - Para o gerente de políticas públicas do
Sebrae, Bruno Quick, o fato de haver mais de 500 mil empresas do Simples
em situação de débito tributário mostra as
dificuldades enfrentadas pelas micro e pequenas empresas, agravadas por
problemas como a recente crise financeira mundial, a valorização
do real e a conseqüente exposição à concorrência
de produtos importados.
Soma-se a isso, segundo Quick, o fato de que há cerca de cinco
anos o teto do Simples Nacional permanece o mesmo - R$ 2,4 milhões,
sem qualquer ajuste. Assim, por exemplo, mais de 3 mil empresas estão
na última faixa e em vias de estourar esse teto e sair prematuramente
do sistema de tributação diferenciada. O gerente explica
que a saída do sistema altera substancialmente a carga tributária
e a estrutura de custo da empresa e pode levar à sua saída
do mercado ou empurrá-la para a informalidade, o que entende,
contraria os objetivos da política pública instituída
pela Lei Geral de incentivo à formalização, ao desenvolvimento
e à geração de emprego e renda.
"As empresas estão fragilizadas e precisam de apoio",
disse Bruno Quick. Ele lembrou que os débitos do Simples Nacional
sequer podem ser parcelados e alerta para a necessidade de mudanças,
conforme previa o Projeto de Lei Complementar 591 que tramitava na Câmara
dos Deputados em 2010. "Alguns empresários têm a esperança
de que esse projeto seja votado ainda em fevereiro deste ano, conforme
prometeu o líder do governo no final do ano passado e que, entre
as mudanças, seja incluido o parcelamento de débitos das
empresas", afirmou.
MEI - Depois da formalização como Microempreendedor Individual
(MEI), o pintor Cristiano Novaes Xavier guarda todos os documentos referentes
aos serviços prestados e impostos quitados. Isso para não
ter problemas para fazer a Declaração Anual de Rendimentos
e prestar contas com a Receita Federal. Cristiano e todos os microempreendedores
têm até o dia 31 de janeiro para fazer a declaração.
Só no Estado de São Paulo são 162 mil pessoas com
receita bruta de até R$ 36 mil por ano inscritas no MEI. De acordo
com o consultor do Sebrae-SP, Claudio Roberto Vallin, a partir do momento
que o empreendedor faz sua formalização, ele abre uma empresa
e se torna pessoa jurídica (PJ).
"Como PJ ele fica obrigado a apresentar sua declaração
de rendimentos", explica. E quem não entregar o documento
está a sujeito à multa de 2% do montante dos impostos pagos
durante o ano, segundo Vallin.
Para a fazer a declaração, o microempreendedor deve acessar
o site www.receita. fazenda.gov.br, entrar no portal de serviço
do Simples Nacional e ir à seção destinada ao MEI.
Só é possível entregar o documento pela internet.
"O importante tomar todas as precauções e ter
todos os relatórios mensais para fazer a declaração",
orienta o consultor do Sebrae-SP. Quem estiver com alguma parcela do
INSS, ISS ou ICMS atrasada deve voltar ao www.portaldoempreendedor.gov.br
para gerar uma nova guia com os valores corrigidos com multa e juros
pelo atraso para normalizar a situação.
Xavier não se arrepende de aderir ao MEI. "As pessoas levam
meu trabalho mais a sério e sou mais respeitado. Trabalho por
meio de contratos e isso transmite mais confiabilidade ao cliente",
disse. E do lado financeiro, os cálculos iniciais mostram que
ele registrou faturamento bruto de R$ 26 mil em 2010. Quando não
era formalizado, o faturamento não passava de R$ 18 mil.
Já o proprietário da RC Salgados, Ricardo de Macedo Ribeiro,
não vai pagar para um escritório fazer a declaração.
O funcionário Clayton Marques cuida da parte financeira e ele
próprio preenche a declaração no site da Receita. "Não é muito
complicado, mas é preciso ter atenção", conta
Marques.
Quem quiser aderir ao MEI terá que esperar até 8 de fevereiro.
Isso porque o Portal do Empreendedor passa por um processo de reconstrução
para a inclusão de novas funcionalidades e registros. (ASN/AE)
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