Diário
do Comércio, 17
de fevereiro de 2011 - Primeiro Caderno -
Seção:
Legislação&Tributos - Pág.
25
Receita
tributária subiu mais que o dobro da inflação
Crescimento foi de 264,49%, ante 89,01% do IPCA.
São Paulo - Nos últimos dez anos - de janeiro de 2001
a dezembro de 2010 -, a arrecadação tributária no
país cresceu quase o dobro da inflação e mais de
16% acima do Produto Interno Bruto (PIB).
Nesses
120 meses, a receita tributária nos três níveis
de governo - federal, estadual e municipal - subiu 264,49%, ante 89,81%
do IPCA (o índice oficial de inflação) e 212,32%
do PIB (soma dos bens e serviços produzidos no país).
Para
o leitor entender os números, é como se houvesse
uma corrida. Os preços teriam "corrido" 189,81 metros
em dez anos, o PIB, 312,32 metros e a arrecadação tributária,
364,49 metros. Resultado: o maior avanço pesou mais no bolso dos
contribuintes. Pode-se dizer que, nesse comparativo, a receita tributária "correu" mais
92% do que os preços e mais 16,7% do que o PIB.
Com
base nesses dados, o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
(IBPT) divulgou anteontem o Índice de Variação da
Arrecadação Tributária (Ivat) no país. Segundo
o instituto, trata-se de um método de medição econômica
que apura percentualmente a variação da receita tributária
nos três níveis de governo. Assim, o Ivat mede os avanços
mensal e anual dos valores recolhidos aos cofres públicos.
Os
dados do IBPT mostram bem o quanto os governos avançaram no
bolso dos contribuintes na primeira década deste século.
Segundo
o coordenador de Estudos do IBPT e idealizador do projeto, Gilberto
Luiz do Amaral, "a partir do Ivat é possível discutir
o termo inflação tributária", que, no caso,
foi de 92% na década passada.
O
IBPT define "inflação tributária" como
o crescimento da arrecadação de tributos que extrapola
o percentual de variação do IPCA calculado e divulgado
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para
Amaral, a discussão permite "que a sociedade tenha
consciência de que os governos são exímios geradores
da inflação econômica, pois os tributos integram
o cálculo do PIB tanto pela ótica da produção
como da demanda e da renda". Segundo Amaral, a conseqüência
disso é que "o crescimento da arrecadação tributária
acima dos índices de inflação e do próprio
crescimento do PIB do país provoca mais inflação".
O
estudo do IBPT mostra que a voracidade tributária foi tão
expressiva na década que, em 120 meses, em apenas cinco deles,
todos em 2009 - fevereiro, junho, julho, agosto e setembro -, a variação
da arrecadação tributária foi negativa.
Por
ano, a arrecadação tributária apresentou a
maior alta em 2002, com 20,25%, seguida de 2010, com 17,8%, e de 2004,
com 17,56%. A menor alta ocorreu em 2009 (o ano da crise econômica),
com 3,72%. (FP)
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