Diário
do Comércio, 11
de fevereiro de 2011 - Primeiro Caderno -
Seção:
Legislação&Tributos - Pág.
25
Deputados querem proposta oficial
Base
aliada e oposição avaliam que falta
maior clareza nas diretrizes apresentadas pela presidente.
Brasília - Parlamentares da base aliada e da oposição
avaliam que as diretrizes anunciadas pela presidente Dilma Rousseff para
a reforma tributária não são claras o suficiente
para indicar de que forma o tema será conduzido pelo governo.
Ao discursar no Congresso, a presidente afirmou que o
sistema tributário
deve ser simplificado, racionalizado e modernizado. Ela disse também
que é preciso ampliar a base de arrecadação tributária
para desonerar as atividades que promovem o crescimento econômico,
em especial os investimentos e a produção dos bens de consumo
popular.
O deputado Sandro Mabel (PR-GO), que foi relator da proposta
de reforma tributária em tramitação na Câmara
(PECs 233/08, do Poder Executivo, 31/07 e outras), diz que Dilma tem
dois caminhos.
Um deles é usar o substitutivo que ele relatou, que foi aprovado
por uma comissão e está pronto para ser votado em Plenário.
O texto altera o sistema como um todo, inclusive o mposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS), considerado por ele a principal
dificuldade, por ser mais amplo e trabalhoso para negociar.
O outro caminho seria mandar outra proposta, focada apenas
na desoneração
dos investimentos. "Seria o filé, mais fácil de se
aprovar. No entanto, não atacaria a guerra fiscal", diz.
Na avaliação do deputado Guilherme Campos (DEM-SP), Dilma
não indica que proposta o governo pretende patrocinar. O parlamentar
também se diz cético em relação aos reais
benefícios que a reforma tributária pode trazer para o
contribuinte. "O governo não quer nem ao menos que a população
saiba com clareza quanto paga de imposto", critica.
Campos avalia que não existe na Câmara proposta que atenda
ao objetivo da presidente de simplificar o mecanismo de cobrança.
Para ele, seria necessário que o Executivo encaminhasse um novo
projeto e se empenhasse em fazer com que o novo texto fosse votado.
O deputado Maurício Rands (PT-PE) entende que o tom genérico
dado por Dilma no discurso na Câmara indica que a presidente foi
cautelosa para não bloquear a disposição dos parlamentares
de avançar no tema. "A discussão não começará do
zero, mesmo se for mandada outra proposta. De qualquer forma, será preciso
fazer concessões e não podemos esperar por um consenso
que inclua todos os pontos", argumenta.
Tramitação - A proposta de reforma tributária que
tramita na Casa foi aprovada por comissão especial em 2008. Entre
os principais pontos do texto estão a unificação
das 27 leis estaduais do ICMS e a criação do Imposto sobre
Valor Adicionado Federal (IVA-F) - a partir da fusão do programas
de Integração Social (PIS) e de Formação
do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), da Contribuição
para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da contribuição
do salário-educação.
Outros pontos importantes do texto pronto para votação
na Câmara são desoneração de alimentos, produtos
de higiene, limpeza e de consumo popular com o excedente de arrecadação
e a incorporação da Contribuição Social sobre
o Lucro (CSLL) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).
Além da proposta de reforma tributária, estão prontos
para ser votados na Câmara 80 projetos que tratam de ajustes ou
criação de tributos. Os temas vão de alterações
na distribuição do ICMS, no IPI e na Cofins até propostas
para dar mais transparência ao contribuinte sobre os impostos que
estão sendo pagos. Também está pronta para a pauta
do Plenário a proposta que cria o Imposto sobre Grandes Fortunas
(PLP 277/08). As informações são da Agência
Câmara.
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