O Tempo, 3 de agosto de 2010 - Primeiro Caderno - Seção: Política - Pág. 4

Minas. Peemedebista diz encontrar dificuldade em obter dados do governo tucano para montar seu programa

Costa questiona transparência
Apesar de pregar o alto nível, senador concentra críticas em atos na capital
RODRIGO FREITAS

Embora a coordenação de campanha do candidato do PMDB ao governo de Minas, senador Hélio Costa, tenha divulgado uma carta em que se compromete a não atacar o rival Antonio Anastasia (PSDB), ontem, o peemedebista criticou novamente o governo. Costa disse que tem tido "algumas dificuldades" para conseguir números recentes sobre a gestão tucana no Estado. O candidato também questionou o relacionamento do governo com o funcionalismo público estadual, dizendo que "Anastasia é o problema" e ele é a "solução".

Nos bastidores, a tática de atacar a gestão tucana não é bem-vista pela coordenação de campanha do senador. Na semana passada, o responsável pelo marketing eleitoral do peemedebista, o publicitário Duda Mendonça, vetou o tom crítico. A estratégia de Costa seria concentrar as críticas ao governo apenas em agendas na região metropolitana da capital, onde o adversário possui bons índices nas pesquisas de intenção de voto, principalmente nos levantamentos espontâneos.

Seguindo essa tática, ontem, Hélio Costa disse que precisa de alguns números sobre as contas do Estado para consolidar seu plano de governo, mas nem sempre tem conseguido. "Nós temos tido dificuldades de obter números mais recentes. Alguns sites do governo não funcionaram durante algum tempo, depois voltaram a funcionar. Outros não têm os números de 2009", criticou.

Em seguida, porém, ele amenizou e disse que o problema parte apenas de alguns setores do governo.
" Vamos dizer que (o problema) não seja o governo do Estado, mas que evidentemente sempre tem alguém que pode estar dificultando esse processo. Mas sempre que a gente reclama, consegue", minimizou.

O candidato voltou a criticar a relação do governo do Estado com os servidores públicos e alfinetou o governador. "Eu acho que ele é o problema e nós somos a solução", disse. O choque de gestão, mote da campanha tucana, também foi alvo de ataques do peemedebista.

SOCIAL. Costa reafirmou que, se eleito, vai fazer um governo voltado para a área social, o que, para ele, diferencia suas propostas das de Anastasia. "Nós temos uma diferença básica na apresentação das nossas propostas: nós pensamos no social. O mais importante são as pessoas porque elas fazem Minas crescer, elas fazem Minas ser feliz", ressaltou.

Logo depois de se reunir com sindicalistas, o candidato partiu para uma caminhada na rua dos Caetés, no centro de Belo Horizonte. Acompanhado por cerca de 50 correligionários, ele andou por lojas e cumprimentou eleitores. O vice-prefeito de Belo Horizonte, Roberto Carvalho (PT), participou do ato de campanha.

Foi o primeiro evento de Costa em Belo Horizonte em que foram ouvidos os jingles de campanha que devem estar no programa de TV.

Sindicatos

Piso para servidor é promessa

Ao receber ontem uma carta de reivindicações da Coordenação Intersindical dos Trabalhadores no Serviço Público de Minas Gerais, o candidato do PMDB ao governo, senador Hélio Costa, comprometeu-se a estudar a possibilidade de implementar um salário mínimo regional por categoria, no caso específico do funcionalismo. Entretanto, ele deixou claro que ainda precisa fazer consultas técnicas para se posicionar definitivamente sobre a demanda.

“Certamente, vamos nos debruçar sobre isso. Vamos analisar direitinho e vai depender muito da posição dos nossos companheiros, dos nossos técnicos sobre essa questão”, afirmou.

Representantes de 14 sindicatos de servidores públicos do Estado estiveram ontem no comitê central da campanha de Costa para entregar a carta de reivindicações. Os três eixos do documento são a abertura de concursos públicos, aumentos salariais anuais e reestruturação da carreira.

Os servidores aproveitaram para criticar a relação do governo tucano com os trabalhadores. Os sindicalistas pretendem entregar o mesmo documento aos outros candidatos ao governo.

Hélio Costa vem investindo nas relações com sindicatos e servidores públicos de Minas, ponto considerado um “calcanhar de Aquiles” da gestão do principal oponente, Antonio Anastasia (PSDB). Nas últimas semanas, o senador recebeu o apoio da CUT e do Sindicato dos Técnicos em Fiscalização, Tributação e Arrecadação do Estado de Minas Gerais (Sinffaz). (RF)