Hoje em Dia, 17 de março de 2010 - Primeiro Caderno - Seção: Política - Pág. 2
Cidade Administrativa tem primeira manifestação com 2.500 servidores
Se
não houver acordo, funcionários estaduais prometem greve
no dia 8
Denise
Motta e Flórence Couto - Repórteres
| Lucas Prates | |
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| Operação policial mobilizou um efetivo de 400 homens |
Aproximadamente 2.500 servidores, conforme estimativa da Polícia Militar (PM), realizaram, na tarde desta terça-feira (16), a primeira manifestação na Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, complexo que reúne grande parte da estrutura do Governo na Região Norte da capital. A maioria dos participantes, da área de educação, reivindica piso (nacional) superior a R$ 1 mil. Conforme a secretaria Estadual de Educação, 20% das 4 mil escolas em Minas foram prejudicadas por causa da manifestação.
Uma operação policial mobilizou um efetivo de 400 homens do Batalhão Rotam, Batalhão de Choque, Cavalaria, Polícia Rodoviária Estadual e Academia da PM. O complexo foi isolado com cerca de ferro e vigiado por políciais, que impediram aproximação dos servidores aos cinco prédios que compõem a Cidade Administrativa.
Dois carros de som e dezenas de ônibus e bandas de música movimentaram a área. Os servidores da Educação empunhavam bandeiras azuis e os servidores aposentados, bandeiras alaranjadas. Fiscais do Estado, da área da Saúde, e da própria polícia, participaram do ato. Apitos e buzinas também foram utilizados. Juiz de Fora (Zona da Mata), Governador Valadares (Vale do Rio Doce), Montes Claros (Norte de Minas) e representantes de outras cidades de toda parte do Estado compareceram.
Depois de contornarem
a pé o complexo cercado, os manifestantes bloquearam
o trânsito sentido Lagoa Santa-Belo Horizonte por aproximadamente 10
minutos. O líder de oposição na Assembleia Legislativa
de Minas, deputado Padre João, deu tom político à manifestação.
Ele discursou em carro aberto, manifestando apoio aos servidores. Panfletos
do PSTU também foram distribuídos.
Os trabalhadores da Educação reivindicam o piso superior a
R$ 1 mil e argumentam que hoje têm piso inferior ao salário
mínimo. Caso as negociações de reajuste não avancem,
no próximo dia 8 eles prometem greve.
“Estou trabalhando madrugadas a fio, ao lado do vice-governador para encontrarmos caminhos onde possamos, se não atender às demandas necessárias, pelo menos sinalizar o respeito e o apreço que temos por todos os servidores”, afirmou o governador Aécio Neves (PSDB), no Sul de Minas, onde cumpriu agenda administrativa, na manhã desta terça (16). À tarde em agenda no Palácio das Mangabeiras, Aécio ficou distante dos manifestantes.
Rede
municipal cruzou os braços
Os professores da rede municipal de BH entraram em greve nesta terça-feira
(16), depois de uma assembleia, no Hotel Grandarrel. A paralisação é por
tempo indeterminado e, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação
da Rede Municipal da capital, só vai terminar depois que a Prefeitura
de Belo Horizonte (PBH) apresentar uma proposta que for aceita pela categoria.
“Houve uma adesão maciça na assembleia. Temos uma assembleia
na terça (23 de março) que vai avaliar os rumos do movimento”,
contou Adriana Mansur, diretora do sindicato. Segundo ela, desde o início
do ano os professores tentam entrar em acordo com a PBH, mas não vêm
obtendo sucesso. Adriana ainda informou que, para ontem, estava marcado encontro
com a prefeitura, porém a reunião foi desmarcada na véspera.
Dentre as reivindicações dos professores municipais, estão o aumento salarial de 22,41%, que representaria, segundo a diretora do sindicato, a reposição “das perdas salariais ao longo dos anos”, e o pedido de equiparação da carreira dos educadores infantis com a dos professores. A assessoria da PBH informou que ainda aguarda um comunicado oficial com todas as reivindicações para abrir nas negociações.
A paralisação de terça (16), de acordo com Adriana Mansur, foi de 70%. A Secretaria Municipal de Educação informou que, das 187 escolas, 24 paralisaram.