Folha de São Paulo, 4 de março de 2010 - Primeiro Caderno - Seção: Brasil - Pág. a14
Aécio inaugura nova sede de governo de R$ 1,7 bilhão
Custo da obra, investigada pela Promotoria, é superior ao orçamento de 7 secretarias
A
menos de um mês de sair, mineiro entrega maior obra da gestão,
com o nome do avô, Tancredo Neves, que completaria cem anos hoje
BRENO COSTA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE
A
menos de um mês de deixar o cargo, o governador de Minas, Aécio
Neves (PSDB), inicia sua despedida hoje, com a inauguração da
maior obra de seus sete anos de gestão: um complexo administrativo erguido
ao custo de R$ 1,688 bilhão.
Após 112 anos, a sede oficial do governo de Minas sai do Palácio
da Liberdade, inaugurado junto com a fundação da própria
Belo Horizonte, e passa para o modernista Palácio Tiradentes, uma das
cinco edificações projetadas pelo arquiteto Oscar Niemeyer na
Cidade Administrativa de Minas Gerais.
O valor investido vai demorar 18 anos para ser compensado pela economia prevista
de R$ 92 milhões anuais. O R$ 1,69 bilhão é superior à soma
dos orçamentos aprovados para este ano nas áreas de assistência
social, cultura, habitação, meio ambiente, ciência e tecnologia,
agricultura e esportes.
Avaliadas inicialmente em cerca de R$ 550 milhões, as obras de engenharia
chegaram a R$ 1,1 bilhão, o dobro do previsto. Somada a outros 87 contratos
levantados pela Folha desde o início das obras, em janeiro de 2008,
o custo total chega a R$ 1,69 bilhão.
A 20 km do centro de BH, às margens da rodovia estadual que leva ao
Aeroporto de Confins, a Cidade Administrativa não tem estrutura de serviços
no entorno. Para facilitar a adaptação, Aécio reduziu
a jornada dos servidores de oito para seis horas, até o final do ano.
O volume de recursos movimentado pelo projeto que virou a menina dos olhos
de Aécio Neves chamou a atenção do Ministério Público
Estadual.
Hoje, quatro inquéritos estão em andamento, todos referentes
a supostas irregularidades em processos licitatórios. Nenhum deles chegou
a conclusões, até o momento.
A escolha de 4 de março para a inauguração não
foi acaso. É o centenário de nascimento do avô de Aécio,
Tancredo Neves (morto em 1985), que dá nome ao centro administrativo.
A inauguração será, essencialmente, um evento político,
a última grande cerimônia oficial comandada pelo governador, que
se desincompatibilizará para a disputa das eleições. Para
que isso fosse possível, a inauguração foi acelerada.