Diário do Comércio, 19 de janeiro de 2010 - Primeiro Caderno - Seção: Economia - Pág. 4
Estado ainda negocia para atrair aporte de US$ 700 mi
Incentivos
já foram apresentados.
RAFAEL TOMAZ.
A montadora chinesa Chery ainda não bateu o martelo sobre o destino da planta que será instalada no país. O governo estadual mantém as negociações com a companhia para atrair os investimentos que poderão alcançar US$ 700 milhões. E a expectativa é que a decisão seja tomada no primeiro semestre deste ano.
De acordo com o diretor de Atração de Investimentos do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi), Ronaldo Nascimento, as conversas estão avançando. Na semana passada foi realizada uma reunião entre a empresa e representantes do governo mineiro.
Conforme ele, a administração estadual já apresentou para os empresários chineses o pacote de incentivos tributários do Estado. Ele não detalhou quais seriam os benefícios, mas adiantou que a postura adotada será a mesma em relação às demais montadoras instaladas em Minas Gerais.
Além disso, segundo o diretor do Indi, foram apresentadas para a companhia as regiões mineiras que poderão abrigar a planta. " a Chery quem tomará esta decisão e levará em conta uma série de fatores, como facilidades logísticas", disse. Nascimento não revelou quais os municípios poderão receber os investimentos da companhia chinesa.
Apesar de esperar que a Chery anuncie o local em que a fábrica será instalada até final deste semestre, a previsão inicial do governo estadual apontava para que a definição ocorrese até dezembro do ano passado.
O diretor do instituto explicou que a demora é em virtude dos diversos pontos discutidos entre a companhia chinesa e os representantes do governo mineiro. Entre eles, ele destacou a infraestrutura disponível no Estado.
De acordo com Nascimento, atualmente Minas Gerais disputa os investimentos da montadora chinesa com outro Estado, cujo nome não foi revelado. Inicialmente, estavam buscando o aporte São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás e Bahia.
A empresa estatal da província de Xangai pretende se instalar no país para produzir cerca de 150 mil carros por ano. Conforme publicado pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO, entre os fatores que a companhia levará em consideração está a proximidade com possíveis fornecedores de autopeças.
A área que abriga o maior número de indústrias desse setor é a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), em virtude do cinturão de fornecedores da Fiat Automóveis S/A (Fiasa), instalada em Betim.
Além disso, o Estado conta com a Iveco Latin America, em Sete Lagoas, na região Central, e a Mercedes-Benz, instalada em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira.
A Chery que se tornar a primeira montadora chinesa no Brasil e a primeira do seu país a vender um carro flex. Conforme já publicado, a previsão inicial da empresa era que todo seu complexo estivesse instalado até o fim deste ano.
No final do ano passado foi inaugurada a primeira concessionária da montadora chinesa em Minas Gerais. O grupo VBL investiu R$ 800 mil para instalar o empreendimento na região Oeste da capital mineira.
A estreia da marca asiática no mercado mineiro foi com o Modelo Tiggo, que vai competir no segmento de utilitários esportivos compactos, com o custo de R$ 49 mil. Em um segundo momento será comercializado o popular QQ e, também, o Face, com o preço entre R$ 22 mil e R$ 30 mil. A Chery conta com cerca de 30 concessionárias no Brasil.