Hoje em Dia, 23 de junho de 2009 - Primeiro Caderno - Seção: Política - Pág. 3
PT quer estilo paulista na sucessão estadual em Minas Gerais
SINDIFISCO
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Atacar o governador Aécio Neves (PSDB) e mobilizar os dois pré-candidatos
petistas ao Governo do Estado para desistirem de uma disputa interna, com realização
de prévia eleitoral. Lideranças históricas do PT mineiro
se reuniram, no último final de semana, para traçar diretrizes
informais sobre as eleições do ano que vem, e estes foram os
principais pontos destacados. São pré-candidatos petistas ao
Governo mineiro o ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome,
Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel.
O secretário-geral do partido, deputado federal José Eduardo
Cardozo (PT-SP), esteve na capital mineira e frisou a importância de
se “combater o neoliberalismo em Minas”. A estratégia
petista para desbancar o candidato tucano Antonio Augusto Anastasia, vice-governador,
passa pela entrada em cena de entidades de classe.
O Sindicato dos Fiscais e Agentes Fiscais de
Tributos do Estado de Minas Gerais (Sindifisco) e a Associação dos Funcionários Fiscais do
Estado de Minas Gerais (AFFEMG) espalharam pela capital outdoors criticando
a gestão de Aécio, especialmente no que diz respeito ao imposto
sobre a energia elétrica.
Na peça publicitária, é destacado que Minas cobra tributação
mais alta do que o Rio de Janeiro e São Paulo. Material gráfico,
como folders, também estão sendo distribuídos pela cidade.
Representantes destas entidades estavam na reunião do PT durante o final
de semana. “Não devemos atacar o Aécio, mas sim fazer uma
oposição responsável”, afirmou o ex-vereador Carlão,
um dos organizadores do encontro em Contagem, na Grande BH.
O presidente do PSDB mineiro, deputado federal Paulo Abi-Ackel, avaliou a
estratégia
petista como perigosa porque “este tipo de comportamento político
está fora da tradição mineira”. “Isso não é da índole
do Patrus Ananias ou do Fernando Pimentel, é uma contradição
a uma conduta recente de resultados positivos”, afirmou, referindo-se à parceria
administrativa entre Aécio Neves e o ex-prefeito Pimentel.
Liderança presente no encontro petista, a prefeita de Governador Valadares
(Vale do Rio Doce), Elisa Costa, demonstrou preocupação com as
estratégias diferentes dos pré-candidatos. “Nossas forças
estão dispersas. Vejo isso com preocupação”, declarou. “Patrus
e Pimentel não podem ser opostos, mas sim complementares”, completou
o economista José Prata Araújo, ligado ao PT e ao Sindicato dos
Bancários. Já a prefeita de Contagem (Grande BH), Marília
Campos, disse ser preciso um “pronunciamento público” em
prol da unidade petista.
Fundadora do PT e debatedora, a ex-deputada federal Sandra Starling não
poupou críticas até mesmo ao presidente Lula no evento petista.
Ela disse que Lula “vacilou” com Nilmário Miranda, quando
este foi candidato do PT ao Governo de Minas, em 2002. E também lembrou
que, em 1992, obteve o mesmo percentual de preferência que Patrus Ananias
na indicação de militantes para disputar a Prefeitura de Belo
Horizonte, mas abriu mão em busca da unidade.
Sandra também demonstrou “um certo temor” em fechar com
o PMDB, mesmo argumento apresentado pelo professor da Universidade Federal
de Minas Gerais (UFMG) Juarez Guimarães. “Temos que minimizar
a influência do PMDB na coalizão”, disse ele.