Brasília Confidencial, 4 de novembro de 2009 - Seção: Notícias Políticas Públicas
Auditores
mineiros acusam Aécio de favorecer sonegadores
Dos sete estados que integram as regiões Sul e Sudeste, Minas Gerais é o único
que registra queda na arrecadação do ICMS em 2009. O governador
Aécio Neves (PSDB) culpa exclusivamente a crise econômica e, em
nome dela, cortou R$ 450 milhões em investimentos atingindo as áreas
da saúde, educação e segurança. Mas o Sindicato
dos Auditores Fiscais (Sindifisco-MG) aponta outra causa para a perda de receita
que, de janeiro a outubro, chegou a R$ 1,7 bilhão. De acordo com a entidade,
o resultado negativo da arrecadação de ICMS é fortemente
influenciado pela má gestão das políticas fiscais do Governo
Aécio.
“Não podemos pactuar com o discurso de que a crise financeira foi
a única responsável pela queda na arrecadação. Temos
a obrigação de denunciar o desmonte da estrutura de fiscalização
em Minas Gerais”, alerta o presidente do Sindifisco-MG, Matias Bakir Faria.
Pelas contas do Sindifisco, a cada ano o Estado deixa de arrecadar R$ 4,6 bilhões
em conseqüência da concessão de regimes especiais que desoneram
grandes empresas do pagamento de tributos. Em muitos casos os benefícios
contrariam a determinação do Código Tributário Nacional
(CTN) que impede a concessão de anistia fiscal a empresas que praticam
crimes como fraude e simulação tributária. Bakir cita o
exemplo da Sada Transportes que, em 2008, foi anistiada do pagamento de R$ 95
milhões em ICMS, juros e multas.
Outro benefício contestado pelo Sindifisco é o Protocolo de Intenções.
Neste regime fiscal, empresas ganham isenção tributária
e, em contrapartida, se comprometem a gerar emprego e renda para a comunidade
onde se instalam. De acordo com os auditores, esse benefício é utilizado
de forma indiscriminada, sem haver o devido acompanhamento do governo.
“Um estado que, em sete anos, aumentou sua dívida consolidada de
R$ 35 bilhões para R$ 60 bilhões não pode se dar ao luxo
de conceder tantas isenções fiscais”, afirma o presidente
do sindicato.
Os auditores também acusam o governador Aécio Neves de patrocinar
o desmonte da estrutura de fiscalização e planejam entrar com uma
representação junto ao Ministério Publico contra o fechamento
de postos da Receita Estadual localizados em rodovias mineiras. Em 2009, o governador
mandou fechar sete postos e outros 15 serão desativados nos próximos
meses. Os auditores advertem que essa iniciativa, além de inconstitucional,
facilita a ação dos sonegadores e reduz, ainda mais, a arrecadação
do Estado.
Eles se opõem também à criação da Superintendência
de Fiscalização, que centraliza o planejamento e a coordenação
das atividades de fiscalização dos tributos estaduais, transferindo
para seus diretores a responsabilidade pela emissão de multas. O problema,
segundo Matias Bakir, é que os diretores responsáveis por essas
atividades ocupam cargos comissionados ficando mais vulneráveis às
pressões externas.
“Nunca houve tanta pressão do governo do Estado como agora. Pedidos
de cancelamentos de processos e multas são comuns nesta administração.
Esta superintendência veio para facilitar a interferência do governo”,
denuncia.