Hoje em Dia, 23 de setembro de 2005 - Primeiro Caderno - Seção Política - Pág. 3

Estado mantém arrecadação em alta
Tatiana Azzi

A arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do Governo de Minas Gerais continua registrando valores próximos ao recorde de junho. A previsão do Sindicato dos Fiscais e Agentes Fiscais de Tributos (SINDIFISCO-MG) é de que, em agosto, a receita do Estado tenha sido de R$ 1,2 bilhão. Em julho, foi registrado um montante parecido: R$ 1,237 bilhão, sem considerar juros e multas.

Receita do ICMS Estado de Minas Gerais em R$ Mil
(sem juros e multas)
Mês de referência:
2005
Janeiro R$ 1.246.418,00
Fevereiro R$ 1.124.843,00
Março R$ 1.126.944,00
Abril R$ 1.197.684,00
Maio R$ 1.244.957,00
Junho R$ 1.432.282,00
Julho R$ 1.273.387,00
Agosto R$ 1,2 bilhão
Total no período R$ 8.646.516,00
(*) previsão do Sindifisco Editoria de Arte

De janeiro a julho deste ano, a receita acumulada foi R$ 8,646 bilhões, enquanto a receita acumulada no mesmo período no ano anterior foi de R$ 6,972 bilhões. Segundo dados do SINDIFISCO, a arrecadação teve crescimento nominal de 24% em 2005, enquanto a inflação, registrada no período, levando com conta o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi de 3,41%. Em comparação com outros estados, Minas perde em crescimento de arrecadação apenas de Santa Catarina.

O recorde do ano foi em junho (R$ 1.432.282,00), mas este foi considerado um mês atípico, com a fiscalização direta sobre três grandes empresas.

O SINDIFISCO prevê, no entanto, que a arrecadação do Estado sofrerá uma perda significativa devido ao projeto anunciado na semana passada pelo governador Aécio Neves e que prevê a redução de impostos para 150 produtos, como itens da cesta básica, material de construção e material escolar. Em alguns casos, está sendo proposta a isenção total de impostos.

A mensagem do governador chegou na Assembléia na última quarta-feira. Ele informa que, com as isenções de ICMS para 150 produtos, o Estado terá uma perda de R$ 53,3 milhões. Aécio acredita, no entanto, que essa perda será compensada com o acréscimo, de igual valor, com a inclusão de novas mercadorias sujeitas a regime de substituição tributária. A boa arrecadação registrada neste ano vai permitir que o Governo apresente superávit de R$ 1,7 bilhão neste ano, e de R$ 4 bilhões no próximo ano. O Governo quer utilizar esses recursos em investimentos.

O bom desempenho da receita faz com que os servidores do Estado cobrem um aumento salarial maior. Os servidores da saúde estão em greve e querem um reajuste superior ao que o Governo ofereceu por meio das tabelas salariais que estão em tramitação na Assembléia Legislativa. Os fiscais também cobram salários maiores.

Governador critica veto de Lula

O governador Aécio Neves (PSDB) reagiu ontem à decisão do presidente Lula (PT) de restringir a compensação aos Estados e municípios por conta da Lei Kandir. Aécio considerou 'inadmissível o não cumprimento do que foi acertado com os governadores'. Segundo ele, o Governo federal possui uma dívida de R$ 900 milhões com os Estados neste ano em recursos contingenciados. 'Havia o compromisso de liberação a partir do aumento da arrecadação. Houve o aumento, a meta fiscal alcançada, e não houve a liberação. A decisão do presidente surpreende a todos nós e sinaliza uma incorreção do Governo federal na relação que quer manter com os Estados'.

Aécio garantiu que os governadores irão mobilizar suas bancadas no Congresso para derrubada deste veto e pela inclusão de novos recursos. Ele informou ainda que conversou ontem com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, com quem pretende se reunir até o final da próxima semana, quando o ministro retorna de Washington.

Em mensagem encaminhada ao Congresso, o presidente Lula determinou que a compensação fosse incluída no limite das despesas correntes primárias da União, fixadas em 17% do Produto Interno Bruto (PIB). A lei Kandir desonerou do ICMS as exportações de produtos agrícolas e semi-elaborados. Com o veto ao dispositivo, Lula obriga o Congresso a cortar outros gastos para poder incluir, no Orçamento de 2006, uma previsão para a compensação aos Estados. Só desta forma o limite de 17% do PIB para as despesas correntes da União poderá ser mantido. Para este ano estão previstos R$ 5,2 bilhões para compensação, mas não há previsão na proposta orçamentária - encaminhada em agosto pelo Governo ao Congresso - de recursos para este fim em 2006. Os governadores pediam um valor igual ou maior do que o executado em 2005.