Super Notícias, 08 de setembro de 2005 - Primeiro Caderno - Seção Sindical- Pág. 10
MUDANÇAS PROFUNDAS
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RAFAEL TOMAZ
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Os organizadores da manifestação em Belo Horizonte apontaram soluções que consideram importantes para acabar com a atual crise política vivida pelo Brasil. Para eles, como a crise é a maior da nossa história recente, ela requer providências do mesmo tamanho. E citam, como essenciais, mudanças profundas nas estruturas políticas e econômicas do Brasil.
O presidente do Sindicato dos Fiscais de Minas Gerais (SINDIFISCO-MG), Lindolfo Fernandes, acredita que uma das soluções é a reforma política "extremamente necessária neste momento". Mas para ele isso não é menos importante do que o povo sair às ruas cobrando a punição de todos os envolvidos nos casos de corrupção. Lindolfo também chama a atenção para mudanças no atual sistema tributário e para uma legislação mais rigorosa.
O diretor do Sindicato dos Servidores de Belo Horizonte (Sindibel), Robson Itamar concorda com mudanças na estrutura política brasileira, mas para ele "tem de haver uma ruptura com o atual modelo econômico." Trabalhadores de sindicatos filiados à central Conlutas fazem passeata em BH pedindo punição para corruptos
ELES NÃO QUEREM PIZZA EM BRASÍLIA
A capital mineira
foi palco de manifestação pedindo a punição dos
envolvidos na crise política que assola o Brasil nos últimos meses.
Os manifestantes chegaram a pedir a saída do presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva.
O evento em Belo Horizonte foi organizado pela Coordenação Nacional
de Lutas (Conlutas), com a participação de sindicatos filiados
e movimentos estudantis. A passeata saiu da Praça da Rodoviária
e foi até a Prefeitura Municipal.
"ACÓRDÃO"
PREOCUPA
O presidente
do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU) e ex-candidato à
presidência da República, José Maria de Almeida, disse que
a maior preocupação da Conlutas, nesse momento, é o chamado
"acórdão" que, segundo ele, está sendo tramado
por alguns deputados e senadores, no Congresso Nacional. O "acórdão"
seria uma troca de favores entre acusados para que a punição não
chegue a todos os envolvidos nas denúncias de corrupção.
Para o líder do PSTU, depende do povo brasileiro não permitir que esse "acórdão" seja feito e exigir a punição dos culpados. "Os sindicatos têm uma importante missão nesse momento: informar suas bases sobre o que está acontecendo realmente e sair às ruas, trazendo os trabalhadores para protestar contra a corrupção."
RESPONSABIUDADE CHEGA AO PLANALTO
O deputado federal Babá, que foi expulso do Partido dos Trabalhadores
(PT) por não concordar com a linha escolhida pelo Governo Lula também
estava na passeata. O deputado, hoje do Partido da Solidariedade e Liberdade
(PSOL), disse, em discurso, que o presidente da República está
mentindo quando diz não saber do esquema de corrupção.
"Ele é o principal responsável pelo que está acontecendo."
Para Babá o presidente Lula deve sair da presidência não apenas pelas denúncias do mensalão. "Ele deu R$ 563 bilhões para os banqueiros durante o seu Governo."