Super Notícias, 7 de maio de 2005 - Primeiro Caderno - Seção Sindical - Pág. 8
Quem respeita quer respeito
Trabalhadores ou empregadores ficam indignados se são desrespeitados, seja no ambiente de trabalho, seja no dia-a-dia. "O que dizer, então, quando o presidente da República, desrespeita todo o povo brasileiro, ao nos mandar "levantar o traseiro" para buscar juros mais baixos?" A indagação é do presidente do Sindicato dos Fiscais e Agentes Fiscais de Tributos do Estado de Minas Gerais (SINDIFISCO ), Lindolfo Fernandes de Castro.
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"O que é pior", diz o dirigente, "é que ele disse isso sem o menor constrangimento, menos de uma semana depois do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) elevar a taxa básica de juros para 19,5% ao ano. Ou seja, enquanto a classe média "não tira o traseiro da cadeira" o governo tira o corpo fora. e se exime da responsabilidade pelos altos juros brasileiros."
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PREJUÍZO É DO TRABALHADOR
O presidente Lindolfo diz que "como sempre, quem paga o prejuízo
é o trabalhador." E cita outros exemplos dessa falta de respeito.
"Quem se lembra, por exemplo, da justificativa do governo para a Lei de
Falência que privilegia os banqueiros? - Eles diziam que era para reduzir
a taxa de juros. Pois a lei foi aprovada e os juros só fazem subir."
Outro exemplo é a redução dos impostos para certas categorias de empresas e o aumento indiscriminado deles para a população. "Está na Assembléia, projeto que reduz o ICMS dos joalheiros de 12% para 7%, tanto na indústria como no comércio. O benefício será ainda maior para quem se instalar na área industrial de Confins, onde a alíquota será de apenas 3%. Essa insensibilidade é para deixar qualquer um indignado" diz ele.
"Por outro lado", conclui, "os consumidores de energia elétrica acabam de sofrer aumento abusivo de 20%, em média. Mais da metade desse índice é referente a impostos. Os sindicatos se mobilizaram, juntamente com outras entidades do movimento social, mas não conseguiram conter o abuso. E enquanto as famílias se privam de serviços básicos porque não conseguem acompanhar os sucessivos aumentos, os governantes prosseguem indiferentes, apoiados apenas em discursos, nos quais Justiça é apenas uma palavra."