Debate Político: Visão da Reforma Política – 16/07
Deputado federal Ciro Gomes
Conselheiro federal da OAB, Delosmar Mendonça (PB)

“Sem ética não é possível construir uma Nação civilizada”
Ciro Gomes encerra, com brilhante palestra, IV Plenafisco

Após quatro dias de intensos debates, a IV Plenafisco foi encerrada na noite de 16 de julho, Dia de Minas Gerais, com a palestra “Visão da Reforma Política”, proferida pelo deputado federal Ciro Gomes, com a participação, como debatedor, do conselheiro federal da OAB, Delosmar Mendonça (PB).

Ciro Gomes iniciou sua exposição com otimismo, afirmando que a equação brasileira está mesmo na questão política e que, em nosso País, tudo está melhorando. “Na verdade, o Brasil tem falta de maturidade política e costumes democráticos”, acrescentou, explicando que, em 5 de outubro de 2009, o País completa 21 anos de democracia formal, a mais longa etapa de vivência democrática.

“Vocês, fiscais, são uma ilha de excelência no serviço público. Participar deste evento não é convite, é convocação!”

Segundo o palestrante, o nosso maior drama é basicamente derivado da questão econômica. “Entre todas a economias do mundo, a nossa é a mais concentrada. E uma economia mal distribuída significa educação, saúde, produtividade mal distribuída”, ressaltou.

O deputado teceu críticas às manchetes sensacionalistas no País, exemplificando que, se você andar pelas ruas conversando com o povo, ele pedirá saúde, segurança, educação, emprego, transporte. “Não entrará nada do que o despotismo esclarecido pautou para o Brasil, como as Reformas Previdenciária, Tributária e Política. Há um consenso, mal refletido, do que foi pautado pelos neoliberais nas manchetes”, explicou.

Para Ciro Gomes, os que escolhem – como ele – a vida pública como opção, fazem, de oportunidades como essa, momentos pedagógicos. “Há vida inteligente na política brasileira. É preciso renovar o compromisso com a base popular e a sua representação. Política se faz de forma bem ou mal feita, para atender o democrata ou o plutocrata. Não existe vácuo no poder, isto é usurpação”, enfatizou.

Como ponto de reflexão, ele colocou que a primeira questão na reforma política é que todas as instituições para organizar a mais complexa das relações – a disputa pelo poder – são falhas, pois nenhuma delas é perfeita.

Sindicalismo
O palestrante lembrou, ainda, que o movimento sindical foi reprimido na ditadura e só depois vieram as centrais sindicais. “O movimento sindical ainda está em processo inflacionário, porque há uma crise de legitimidade de representação. Sindicalismo é muito importante no Brasil. Mas sindicalismo corporativista é diferente, é corrupção, é defesa de particulares interesses”, avaliou.

Democracia
Ciro Gomes afirmou que democracia não é regime de concessão. “Há conquistas que supõem três pontos: organização, informação e militância – e o nome disso é política”, acrescentou. Em sua visão, os jovens, atualmente, são induzidos, no Brasil e no mundo, a acreditar que felicidade não se constrói em valores espirituais, mas em valores materiais. “É uma tarefa hercúlea espiritualizar os jovens de hoje.”

"O Brasil precisa sair da democracia representativa, que é antiga e muito vulnerável, devendo ceder todos os espaços para a democracia direta e participativa. A nossa tragédia é a baixa participação da cidadania”, encerrou o deputado Ciro Gomes.

“Político tem de dar exemplo para o jovem, para a sociedade para o futuro”

Encerramento
Após a palestra, o conselheiro Delosmar Mendonça, representando o presidente nacional Raimundo Cezar Britto Aragão, destacou o papel institucional da OAB, como braço da cidadania e, por isso, o imenso prazer em participar de eventos como esse. “A categoria de auditores fiscais merece nosso apoio, com uma máquina administrativa organizada e ética.”

“Acredito na conscientização popular e organização social através das ONGs, que podem, realmente, fazer a mudança política que queremos. A Constituição diz que o povo é titular da soberania. Temos de construir a democracia participativa”, finalizou o conselheiro.

Ao final das apresentações, foi feito o encerramento oficial da IV Plenafisco, quando foram homenageadas três mulheres imprescindíveis na organização do evento: a diretora Marinês Cortellini e a gerente administrativa Heula Tadano, ambas da FENAFISCO, e Patrícia Salum, da Comissão Organizadora do SINDIFISCO-MG. Em seguida, foi realizado jantar de confraternização, numa despedida informal de auditores fiscais de todo o País de mais um evento realizado com sucesso pela FENAFISCO, desta vez em parceria com o SINDIFISCO-MG.