Reformas em discussão na Plenária
Sobre a Reforma Tributária, o ex-ministro lembrou a emenda apresentada à proposta, de autoria do deputado João Dado, que cria os contornos de uma Lei Orgânica da Administração Tributária, garantindo aos órgãos que a exercem autonomia orçamentária, financeira, administrativa e funcional. “Isso consagra o que foi dito na Constituição, além de trazer garantias já consagradas em nível infraconstitucional para o patamar da Constituição Federal, tornado-as ainda mais fortes”, disse ele.
O professor apontou ainda as imperfeições do sistema
tributário brasileiro. Segundo Vasco, o Brasil é o único
país que não tributa o leasing, desestimulando a compra
de produtos nacionais. “O papel de vocês (membros da
classe fiscal) é denunciar os defeitos do sistema, como o
de incentivar a não aquisição de produtos brasileiros
para adquirir importados por leasing”, disse ele.
De acordo com o deputado, a PEC 41/2003 (Reforma Tributária), apesar de ter sido barrada no Senado, acabou por gerar uma reforma parcial do sistema tributário brasileiro. “Ela trouxe a Lei Geral das Microempresas, o Supersimples e as alterações constitucionais que tiraram o País da crise que se encontrava na época. Muitos dispositivos existentes hoje foram importados dessa proposta. Por isso me sinto otimista quanto aos avanços da legislação tributária”, completou. Guimarães também criticou o alto custo da folha salarial e o apontou como um dos fatores que dificultam a geração de empregos no País. Para ele, uma nova cobrança sobre movimentação financeira seria o ideal para reduzir o custo da contribuição patronal sem gerar perdas à Previdência. “Temos que resolver dois problemas: o excesso de ônus sobre a folha e uma revisão no ICMS, fazendo com que a União pagasse uma certa porcentagem para cada estado que exportasse alguma coisa”, observou. Reforma da Previdência Conforme explicou o ex-ministro, a sociedade se acomodou com os equívocos aos quais é submetida. “Observamos aí três grandes equívocos: o do Executivo, por ter feito a proposta; o do Legislativo, por tê-la aprovado; e o do Judiciário, por permitir a perda de direitos já conquistados”, assinalou. Quando questionado sobre a insegurança gerada pela atual proposta de Reforma Tributária por sumir com as fontes garantidas de financiamento da Seguridade Social, o professor Vasco Branco afirmou achar a segurança “um elemento essencial em uma relação tributária, tanto para o ente que cobra como para quem está pagando. “Mas a lógica da receita injetada está prejudicando a gestão no Brasil. Ela dá segurança por um lado, mas prejudica a gestão econômica por outro. Tem que haver um equilíbrio entre a segurança do governado e a boa gestão macroeconômica. Seguridade econômica é essencial para um Estado social, mas não se pode injetar de tal forma que tenha dinheiro para pagar desempregado mas não tenha para promover o desenvolvimento econômico. Tem que haver um equilíbrio”. |