3º Painel:
Movimento Sindical – 15/07
Ex-deputado federal Sérgio Almeida
Dirigente do PSTU José Maria de Almeida
Superintendente Regional do Trabalho e Emprego, Alysson Paixão |
Movimento sindical em debate
O terceiro painel da IV Plenafisco, apresentado na tarde de quarta-feira
(15), trouxe como palestrantes o ex-deputado Federal, Sérgio
Miranda, o sindicalista e dirigente do Partido Socialista dos Trabalhadores
Unificado (PSTU), José Maria de Almeida, e o superintendente
regional do Trabalho e Emprego, Alysson Paixão. Discutindo
a importância do movimento sindical, todos apontaram o neoliberalismo
como grande prejudicador da classe trabalhista.
O ex-deputado Sérgio Miranda, lembrando a história
do sindicalismo público e privado, comentou as perdas de prerrogativas
dos trabalhadores em geral no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Conforme disse o palestrante, FHC rompeu diversos acordos com o funcionalismo
público e acabou com muitos direitos trabalhistas em geral. “FHC
revogou a convenção da OIT (Organização
Internacional do Trabalho) que proibia a demissão imotivada”,
destacou.
Outro problema apontado por Sérgio Miranda foi a reforma
sindical, barrada no Congresso Nacional, que deveria regulamentar
certas questões. Contudo, ao em vez da reforma, foram feitas
alterações nas Leis sindicais por meio de portarias
do Ministério do Trabalho e Emprego. Como conseqüência,
há uma enorme fragmentação no movimento sindical
brasileiro, o que enfraquece as entidades classistas.
Outro ponto que chamou a atenção foi a falta de repasses
para o MTE, apontado por Alysson Paixão. De acordo com o superintendente, “o
corte de gastos com o Ministério é um problema endêmico”. “O
MTE vem sendo sucateado há anos. Nosso setor de Segurança
do Trabalho, por exemplo, tem pouco mais de 100 fiscais em Minas
Gerais encarregados de fiscalizar mais de 60 mil empresas”,
assinalou.
Neoliberalismo
Um ponto de em comum abordado pelos palestrantes foi o neoliberalismo
e os prejuízos que ele traz para os trabalhadores. “Seguindo
as normas do capital, as empresas privadas demitem e reduzem salários
a fim de obterem lucros, enquanto o Estado faz o mesmo para poder
repassar mais e mais dinheiro para as grandes corporações
e para pagar a dívida externa”, pontuou Sérgio
Miranda.
O sindicalista José Maria de Almeida observou que a sociedade “vive
em uma época de concentração de riquezas e de
incapacidade de preservar direitos adquiridos”. “Existe
hoje uma moda de perder direitos. Tudo isso, decorrente da forma
de administração neoliberal. O Estado hoje tende a
cortar gastos com o social para investir no capital”, comentou.
Ilustrando sua afirmação, o sindicalista apontou o
caso dos bancários que, em 10 anos, aumentou seus lucros exponencialmente,
enquanto reduziu o número de trabalhadores, substituindo-os
por máquinas, e manteve seus salários congelados. “São
mudanças que visam ganhar mais e gastar menos”, afirmou.
Reforma da Previdência
Abordada igualmente pelos oradores, a Reforma da Previdência
foi apontada como uma “reforma neoliberal”, por retirar
vários direitos dos trabalhadores e aposentados. Segundo o
ex-deputado Sérgio Miranda, “a Reforma da Previdência
foi um golpe duro contra a classe trabalhadora”. Em acordo,
José Maria de Almeida afirmou que a reforma “tirou dos
trabalhadores para dar para o capital privado”.
Apontando um caminho para o movimento sindical, José Maria
de Almeida falou sobre a necessidade de o sindicalismo atingir a
dimensão política para, com isso, intervir em medidas
como essas. “Se não entendermos a necessidade de entrarmos
na luta política, não pararemos essas reformas neoliberais.
Vamos viver ano após ano com surpresas como essa”, concluiu.