Gestão tributária na pauta do dia
Alexandre Dupeyrat iniciou sua explanação relatando que, de sua experiência como servidor público de carreira com a área tributária, nasceu a percepção de “como é difícil estar na pele de quem tem a responsabilidade de gerir tributo, uma atividade espinhosa, que gera resistência de todos os setores”. O palestrante observou que, sobretudo no atual momento histórico, é preciso lembrar que a gestão da administração tributária é um dos mais importantes ramos do Direito Público o que, segundo ele, “parece esquecido pelos agentes políticos encarregados de imprimir rumos”. Dupeyrat lembrou que o Estado é, fundamentalmente, um prestador de serviços e, para isso, precisa arrecadar bem e gerenciar bem e que a administração tributária tem que se dar nos quadros de legalidade estrita. “Não posso inventar tributo, nem eximir à troca de favor”, observou o palestrante introduzindo o tema das interferências sobre a administração tributária. Segundo ele, se há uma categoria que tem que exigir as coisas se processem nos limites da lei são os agentes de Estado e, entre esses, principalmente os que têm a responsabilidade de arrecadar os recursos. “Fico pasmo com a plêiade de favores, benefícios e dádivas que se fazem no campo tributário. Não há administração tributária que possa conviver com tanta exceção. Isso desestrutura, inclusive, a justeza do sistema, a equidade que o sistema pode e deve ter”, afirmou. Desvirtuamento
do sistema tributário Para o
palestrante, o desvirtuamento do sistema tributário
se iniciou a partir do momento em que se esvaziou o Estado, sob a desculpa
de que era preciso modernizá-lo. A declaração
serviu de deixa para uma outra crítica, desta vez ao “choque
de gestão”, modelo implementado em Minas Gerais pelo governo
Aécio Neves, inspirado em práticas da iniciativa privada. “O
que fizeram aqui foi eletrocutar a fiscalização e o controle,
dois setores estratégicos com os quais se queria acabar porque
estavam incomodando”, afirmou. Acordo de resultados A questão foi resolvida com um “acordo de resultados” estabelecido com os servidores, baseado em um incremento salarial atrelado à arrecadação de ICMS e na opção de não tratar de forma diferente os servidores ativos e inativos, de forma que o resultado alcançado fosse dividido por todos. A declaração arrancou aplausos da platéia. “Esse foi o único instrumento com o qual podíamos contar naquele momento e me parece ter sido a decisão mais acertada e mais inteligente”, observou. O secretário também explicou que foi criado um mutirão para atuar na cobrança da dívida, mas de forma amigável, sem necessidade de intervenção judicial. “Produzimos, no mês de junho, a maior arrecadação da história de Santa Catarina”, contou. Para o secretário, o enfrentamento de problemas na esfera da administração pública, passa pelo aproveitamento da memória da casa – “me cerco dos servidores mais qualificados e me aproprio de sua inteligência” – e pelo investimento na especialização dos servidores. “O Estado arrecada tributo demais, presta serviço de menos e o que gasta, gasta mal. Isso tem que ser quebrado. Temos que ser profissionais, absolutamente vinculados ao desejo de prestar o melhor serviço público”, ressaltou. |